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Fênix - 1.A Ilha - John Dixon

[ resenha ] Fênix: A Ilha, John Dixon @Novo_Conceito

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Sem telefone. Sem sms. Sem e-mail. Sem TV. Sem internet. Sem saída. Bem-vindo a Fênix: A Ilha. Na teoria, ela é um campo de treinamento para adolescentes problemáticos. Porém, os segredos da ilha e sua floresta são tão vastos quanto mortais. Carl Freeman sempre defendeu os excluídos e sempre enfrentou, com boa vontade, os valentões. Mas o que acontece quando você é o excluído e o poder está com aqueles que são perversos?

por Matheus Bacil

Uma ilha com tratamento militar na qual adolescentes órfãos que cometeram crimes são enviados para entrar na linha. Serão mantidos nela até completarem 18 anos, quando, supostamente, ganham a liberdade e uma ficha criminal limpa. Para isso acontecer, porém, eles devem sobrevivem ao que acontece naquele lugar.

Neste livro, somos apresentados a Carl, um adolescente órfão que vive com uma família adotiva e não aguenta ver valentões atormentando os indefesos, partindo pra cima deles.  Tanto que em uma dessas vezes, se meteu em uma briga e é condenado. O juiz lhe dá a opção de ou ir para a cadeia ou ir para a Ilha Fênix até completar seus 18 anos, e, se tudo ocorrer bem, ter a ficha de antecedentes criminais limpa. Uma nova vida, um novo começo. Então, Carl vai para essa ilha ver se aguenta “o tranco”.

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[ resenha ] Laços de Sangue, Richelle Mead @editoraseguinte

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Sydney estava encrencada. Em sua última missão, ela tinha ajudado a dampira Rose Hathaway a escapar da prisão, e essa aliança foi considerada uma traição grave, já que vampiros e dampiros são criaturas terríveis e antinaturais, ameaças àqueles que os alquimistas devem proteger – os humanos. Com sua lealdade colocada em questão, Sydney se sente obrigada a voluntariar-se para uma tarefa nada agradável – ajudar a esconder Jill Dragomir, uma princesa vampira que está sendo perseguida por rebeldes que querem o poder. Caso ela seja capturada e assassinada, a rainha Lissa ficará sem nenhum parente vivo e, como manda a lei, terá de abdicar do trono – o que culminará numa guerra civil tão sangrenta no mundo dos vampiros que certamente afetará a humanidade. Assim, pelo bem dos humanos, Sydney aceita se disfarçar de estudante e passa a conviver diariamente com Jill e seu guardião Eddie, quando os três são matriculados como irmãos no último lugar em que qualquer um procuraria a realeza dos vampiros – a Escola Preparatória Amberwood, em Palm Springs, na Califórnia. Mas entre uma pizza e outra, entre um jogo de minigolfe e uma conversa sobre garotos, ela começa a ter a sensação de que talvez esses seres estranhos não sejam tão maus assim, principalmente Adrian, um vampiro muito próximo de Jill que desperta os sentimentos mais contraditórios – e proibidos – em Sydney… O problema é que além de refletir sobre suas convicções e se preocupar com o seu coração, que anda acelerando mais do que deveria, a garota terá de encarar outros inconvenientes um pouco mais graves, como as tatuagens que viraram febre entre os alunos da escola e que parecem conferir poderes sobrenaturais a quem as usa. De que ingredientes elas eram feitas? Quem estaria por trás disso? Será que havia algum alquimista traidor entre eles? Caberá a Sidney resolver todos esses mistérios e garantir a paz entre os humanos antes que seja tarde demais.

A autora norte-americana Richelle Mead é venerada. Com sua série Academia de Vampiros (que está sendo adaptada ao cinema) conquistou milhares de corações jovens com as historinhas de vampiros. Bem, já tentei ler VA e desisti na página 5. Achei estranho, porque as pessoas só faltam parir com os livros da autora. Por isso, decidi dar uma outra chance quando soube do lançamento do spin off de VA, a série Bloodlines (editora Seguinte), cujo primeiro volume, Laços de Sangue, foi lançado no meio desse ano, e o segundo, O Lírio Dourado, sai agora em novembro.

Apesar de ser spin off, a informação que obtive antes de começar a minha leitura era a de que não era necessário um conhecimento prévio sobre VA.Até certo ponto, sim. Não consegui ficar longe dos spoilers, porém. Alguns acontecimentos explicados no início, claramente, remetem ao final da série de VA, mas tudo bem, não tinha pretensão de lê-la mesmo. O que me incomodou de verdade foi a necessidade de saber algumas coisas sobre o mundo e as castas de vampiros criados pela autora – já que não é um tema muito familiar a mim. Só fui saber o que eram os tais moroi e strigoi lá para página 40. E eles são citados desde o início… Quarenta páginas é muita coisa para deixar o leitor no escuro. Spin off ou não, todo livro de série tem que fazer um “Vale a pena ver de novo” no início, gente. Senão, povo boia… Ou desiste e afunda de vez. Isso só não aconteceu comigo porque uma amiga blogueira me explicou.

Achei a narrativa de Mead boa e de fácil entendimento, mas estranhamente, parada. A história de Laços de Sangue somente começa na página 200. Tudo antes disso se resume aos alquimistas e vampiros tomando conta de uma menina descendente da realeza, em um colégio interno – onde, a situação mais emocionante do lugar são as aulas de educação física. Aliás, achei bem esquisito o pessoal em meio a uma situação tensa, de vida ou morte, que poderia mudar o destino de toda humanidade, se preocupar com um possível interesse amoroso de uma adolescente. Tratava-se de um relacionamento que não era o ideal – ok, entendo isso. Só achei muita firula para algo que poderiam dar um basta com um estalar de dedos.

Como dito, a partir da página 200 a história melhora consideravelmente. Mas não é muita coisa não, gente. O início é que foi muito ruim. Todavia, com um pouco mais de ação e atitudes pró-ativas, a história entra nos eixos. Poderia entrar mais, se as personagens ajudassem. A grande maioria é mal aproveitada, com personalidades pouco desenvolvidas e nada carismáticas. Nem a protagonista se salva. Mead tenta passar uma mocinha forte e determinada, mas tudo que consegue é uma garota que prende o choro boa parte do livro, se descabela e perde o controle em algumas situações, quando justamente foi treinada para manter a linha. Adrian é o que consegue dar um bom caldo ainda. Apesar de previsível, simpatizei com o moço e sua atitude blasé.

- Acho que o amor é sempre uma causa nobre – disse a ele. Eu estava falando de maneira objetiva, é claro. Nunca tinha me apaixonado, então não tinha referência para avaliar. Com base no que eu tinha observado em outras pessoas, achava que devia ser algo maravilhoso… mas, por enquanto, estava ocupada demais com o trabalho para reparar naquela ausência. Eu ficava imaginando se não devia me sentir decepcionada com aquilo. – E acho que você ainda tem tempo de sobra para fazer outras coisas nobres.

Nas últimas páginas, quando tudo efetivamente se fecha e é solucionado, algumas coisas ficam bacaninhas. Mas é aquilo: mistério zero. Tudo, absolutamente tudo, o que aconteceu no final eu tinha sacado lá atrás. Até me ofendi. Será que ela realmente achou que pegaria o leitor de surpresa? Tipo, me chamou de lerda, rs.

Em todo caso, fiquei curiosa com o gancho para a continuação e, como o livro deu uma melhorada (sutil e tímida) depois do inicio, talvez o segundo comece com tudo. Por fim, encarei Laços de Sangue como um início – longo, devagar e por vezes chato – de uma série que pode melhorar mais à frente. É pagar para ver. Espero não perder meu dinheiro, nem tempo.

Título: Laços de Sangue
Autor: Richelle Mead
Páginas: 430
Editora: Seguinte
Ano: 2013
Avaliação: 1.5

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[ resenha ] Trilogia Matt Cruse, Kenneth Oppel @editoraprumo

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Matt Cruse sempre adorou voar, a sensação de liberdade é tal que ele só se sente vivo quando os seus pés não tocam o solo. Acomodado no ninho de águia, ele fita o horizonte atento às tempestades e nuvens que podem se colocar na rota da majestosa Aurora, dirigível que cruza os céus com exuberância. Entretanto, a natureza não é a única a oferecer perigo à imponente aeronave. Piratas rondam os céus em busca de presas e ameaçam a vida dos tripulantes do dirigível. O Aurora ruma para a maior aventura de sua história, e Matt terá de mostrar muito mais do que ousadia para levar essa bela aeronave a um porto seguro.

Já aviso que essa vai ser uma daquelas resenhas nem um pouco parcial, ok? Mas não é culpa minha, juro. Se lerem a resenha direitinho e depois correrem atrás do tempo perdido e buscarem os livros, entenderão do que estou falando.

Sabe aquele momento que você se empolga tanto com um livro, que nem fica triste quando descobre que se trata de uma trilogia, e que apenas dois livros foram lançados aqui? Aquele momento que você lê os dois primeiros livros de quase 500 páginas cada em 5 dias, e fica tão desesperada pelo terceiro que compra em inglês mesmo e devora todos os três livros em 1 semana (uma média de quase 200 páginas por dia)? Pois é. Aconteceu comigo e a série Matt Cruse (editora Prumo). Agora, rola um caso sério e extremo de depressão pós-livros. Tanta que a vontade que tenho, é de ler tudo de novo. E de novo. E de novo. Ad aeternum.

O responsável por essa doença a qual fui acometida é Kenneth Oppel – autor canadense responsável por esses livros e mais algumas dezenas, a grande maioria infantojuvenis (lançou apenas um YA, em 2011, Half Brother; e uma ficção adulta, em 2000, The Devil’s Cure). Ele começou a escrever ainda jovem, quando frequentava o ensino médio. Apesar de pouco conhecido no Brasil, lá fora, o autor é best-seller do The New York Times e seu livros já ganharam diversos prêmios.

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Matt Cruse está de volta prestes a embarcar em uma nova aventura. Durante uma viagem a bordo da Flostam, uma aeronave capenga comandada por um capitão arrogante e irresponsável, a tripulação, da qual Matt faz parte, avista o Hyperion – um dirigível mítico considerado por muito tempo apenas uma lenda. A bordo haveria um tesouro inestimável, mas a altitude e seres nunca antes vistos são os guardiões desta nave perpetuamente à deriva. Caberá ao jovem e intrépido Matt Cruse encontrar um meio para resgatar a imponente aeronave, antes que piratas o façam.

O fato é que Oppel é o cara. Com uma história original, divertida e muito bem desenvolvida; ele conseguiu criar um steampunk que dá gosto de ler. Simplesmente não tem como largar o livro antes de terminá-lo. O leitor fica até com peso na consciência, tipo “Gosh, não devia estar comendo. Também não posso dormir. Tenho que terminar de ler o livro.” Desespero define, gente. Vício também chega próximo.

O autor sabe deixar o leitor aflito com suas aventuras mirabolantes e bem pensadas. Não dá tempo de respirar. A sucessão de eventos que acontecem com Cruse vai ficando cada vez mais tensa, até chegar ao momento em que o leitor pensa como que o autor vai tirar o garoto daquela enrascada. Tem que ter coração forte, gente. Me peguei, por várias vezes, deixando o livro de lado por segundos para conseguir continuar a leitura. Essa vida de leitor não é fácil. *O*

Os personagens são bem definidos e carismáticos por demais. Desde o jovem corajoso Cruse; passando pela audaciosa e a frente de seu tempo, De Vries; chegando ao experiente e sábio capitão Walkien. Até os personagens secundários são interessantes – todos têm suas personalidades delineadas e acrescentam à história detalhes importantes. Ao ler os três livros, percebi, claramente, uma evolução dos protagonistas (Cruse e De Vries) com suas ambições, inseguranças e mudanças características da idade. Há até espaço para o amor juvenil. Ai, ai. <3

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O piloto em treinamento Matt Cruse e Kate de Vries, especialista em formas-de-vida de altas altitudes, são convidados à bordo da Starclimber, um navio que literalmente escala seu caminho para o espaço. Antes mesmo que eles possam colocar seus pés na nave, uma catátrofe é anunciada: Kate informa que está noiva e não é de Matt. Apesar dessa bomba, Matt e Kate embarcam em sua jornada para o espaço, mas logo a nave é rodeada de estranhas e inquietante formas-de-vida, e a equipe é forçada a combater uma devastadora pane mecânica. Para Matt, Kate, e toda a equipe de Starclimber, o que começou como uma excitante corrida para as estrelas se transformou em uma batalha para salvarem suas próprias vidas.

A linguagem jovem, com humor do garoto Cruse (é ele quem narra), dá o toque perfeito para os ótimos diálogos dos livros. A conversa flui com tamanha desenvoltura, que a vontade que o leitor tem é de entrar nas páginas e bater um papo com as personagens. Na verdade, a vontade que eu tive ao menos era de participar de tudo. Não sou tão corajosa, e tenho medo  de altura, mas acho que na companhia dessa galera, enfrentaria o desafio.

O que mais me surpreendeu na trilogia, porém, foi o talento inato de Kenneth Oppel de costurar a história perfeitamente. Nenhum, mas nenhum mesmo, acontecimento ali é mero acaso. Tudo tem explicação. Aquele fato que você lê, que parece trivial, lá no final, vai ser importante e fazer um sentido absurdo. Eu não conseguia parar de me surpreender, gente. Oppel me enganava direitinho e, pasmem, eu adorava. Isso tudo porque eu sei o quanto é difícil colocar tantos pormenores e camadas em uma história. Privilégio (e competência) de poucos.

Em nenhuma das três obras (que podem ser lidas separadamente, pois apesar das histórias trazerem leves referências umas às outras, são independentes) há uma queda na qualidade. Todas são bem trabalhadas e cada uma, à sua maneira, se destaca. Por vezes a aventura se faz mais presente, ou os dilemas morais ou as coisas do coração… Enfim, a série é um pacote completo, e você tem que lê-la pra ontem.

Título: Trilogia Matt Cruse
Autor: Kenneth Oppel
Páginas: 438 / 440 / 490
Editora: Prumo / Harper Collins
Ano: 2011
Avaliação: 5.0

[ resenha ] Como Dizer Adeus em Robô, Natalie Standiford @galerarecord

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Com um toque melancólico, o livro conta a singular ligação entre Bea e Jonah. Eles ajudam um ao outro. E magoam um ao outro. Se rejeitam e se aproximam. Não é romance, exatamente mas é definitivamente amor. E significa mais para eles do que qualquer um dos dois consegue compreender… Uma amizade que vem de conversas comprometidas com a verdade, segredos partilhados, jogadas ousadas e telefonemas furtivos para o mesmo programa noturno de rádio, fértil em teorias de conspiração. Para todos que algum dia entraram no maravilhoso, traiçoeiro, ardente e significativo mundo de uma amizade verdadeira, do amor visceral, Como dizer adeus em robô vai ressoar profunda e duradouramente.

Geral e literalmente falando, sou uma pessoa bem controlada, sabe? Já li muitos livros nessa vida. Então, estou acostumada com histórias esquisitas, tensas, melodramáticas, engraçadas, complexas e por ai vai. Por isso que digo que Como Dizer Adeus em Robô (Galera Record) conseguiu uma façanha: a vontade de tacar o livro pela janela, quando li sua última palavra, foi muito grande. Muito. Vou explicar em momento oportuno. Mas antes…

Natalie Standiford é uma autora norte-americana e colega de banda (isso mesmo, banda!) de Libba Bray no Tiger Beat, onde toca baixo. Já trabalhou em uma livraria e também no meio editorial como assistente de editor, mas largou tudo para se dedicar à escrita. Acho que ela fez uma boa escolha. Como Dizer Adeus em Robô é muito bom.

A narrativa de Standiford é gostosa e flui bem. Ela sabe balancear em forma de prosa os momentos inconstantes dos jovens, dosando as palavras e nos apresentando um texto agridoce. Sua escrita é agressiva e crua quando necessária, mas também sonhadora e pueril quando procura pela sutileza. Basicamente, é uma forma de escrever agridoce.

O trabalho gráfico está impecável.
O trabalho gráfico está impecável.

A premissa também segue o mesmo embalo. De uma ideia simples, com um toque de mistério e dúvida sobre algo real/imaginário, a autora consegue fazer um recorte interessante e bem elaborado de uma adolescente “comum” com uma vida e família “incomuns”. Os referenciais mudam de lugar, na verdade. O que é ser normal? Nem eu sei depois do livro. A mãe de Bea é biruta. Seu pai também não bate muito bem. Seus “amigos” idem. O que dizer de Jonah, então?

Ele é o personagem melhor construído, aliás. Tudo nele é enigmático. Não conseguimos desvendar muita coisa dele e tentamos ver algum indício em qualquer piscada ou frase que ele diz. Ele é um mistério adorável, que faz com que o leitor queira saber sobre, desvendar sempre mais. Isso é ótimo, mas também um risco. Às vezes, há tanta neblina ao redor de um personagem que, no final, esperamos algo grandioso para aquela questão e aí quando nos deparamos com algo simples do tipo, “são hormônios da idade”, acabamos por ficar frustrados. Não estou dizendo que é isso que acontece nesse livro. Quer dizer, não muito.

A verdade é que eu esperava mais de Jonah (e até mesmo de Bea). Ele tinha tudo para ser um personagem inesquecível se o suspense ao redor de sua personalidade e vida fosse mais palpável. Ok, ele tinha um motivo (tenso) para “ser” um Fantasma, mas sua ambiguidade (nunca sabíamos se estava dizendo a verdade ou não, por exemplo) se reverteu contra ele mesmo. A impressão que ficou é que, mesmo com o final do livro, eu não o conhecia. Não poderia afirmar uma coisa sequer sobre ele. Personagens muito abertos não passam a impressão de complexidade e, consequentemente, realidade… É justamente o oposto. Jonah era tudo e nada ao mesmo tempo. Será que era isso que a autora queria? Um fantasma, literalmente?

Bea teve o mesmo efeito sobre mim: uma hora gostava dela, outra não. O fato de ela ser uma garota sensível e não demonstrar (por isso chamada de robô pela mãe) me emocionou: ela escutava tanto que não tinha coração, que chegou a acreditar que não tinha sentimentos realmente. Por outro lado, que raiva que tenho de personagens que não tomam uma posição, que “se deixam” ser maltratadas sem fazer nada para reverter a situação. E nem adianta vir com o pretexto “ah, mas ela é adolescente e …”. Besteira. Personalidade forte não tem idade. Aliás, idade. Tópico importante. A narrativa não parece ser de uma garota de 16 anos NUNCA. Juro que quando comecei a ler o livro, pensei que era infantojuvenil. Dava 12 anos para Bea fácil.

E aí você me pergunta onde entra a parte do livro sendo arremessado pela janela. Culpa do final. Aberto demais, quando cabia mais algumas explicações. Tudo fica em suspenso. Tudo. Isso me deu nervoso. Queria um término fechadinho e redondinho, mas o que ganhei foi um grande maybe – TÓIN!

Estranhamente, porém, não consigo desgostar de Como Dizer Adeus em Robô (pelo contrário, gostei muito!). Ele trouxe emoções conflitantes, de amor e ódio, e acho que, quando um livro consegue isso, já possui um grande mérito. Teria mudado a idade dos personagens (ou amadurecido a narrativa para adolescente de 16 anos)? Sim. Teria dado um ar mais sobrenatural à história (tinha um gancho TÃO bom que a autora perdeu, que até chega a me dar uma dor no peito)? Com certeza. Teria fechado o final? Absolutamente. Mas nada disso me impediu de ver as qualidades da obra; só queria ter sido avisada antes de que chegaria do amor à raiva em 344 páginas.

Título: Como Dizer Adeus em Robô
Autor: Natalie Standiford
Páginas: 344
Editora: Galera Record
Ano: 2013
Avaliação: 4.0

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[ resenha ] O Substituto, David Nicholls @intrinseca

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Para Josh Harper, ser ator significa ter dinheiro, fama, mulheres aos seus pés e o papel principal nos palcos de Londres. Para Stephen C. McQueen, trata-se de uma longa e desastrosa carreira como figurante. Stephen tem um nome que não ajuda (não, ele não é parente do famoso Steve McQueen), um agente pouco interessado, um relacionamento complicado com a ex-mulher e a filha e um trabalho como substituto de Josh Harper, o 12º Homem mais Sexy do Mundo. E, quando percebe que está apaixonado por Nora, a linda e inteligente esposa de Josh, sabe que as coisas podem ficar ainda mais difíceis para ele. Ou, quem sabe, essa não é justamente sua Grande Chance? Com personagens engraçados e diálogos irresistíveis, O substituto é uma comédia arrebatadora.

Depois que li o ótimo Um Dia, e o bem mais ou menos Resposta Certa, não sabia o que esperar de O Substituto (todos do autor David Nicholls e lançados no Brasil pela Intrínseca). Completei então a leitura dos três livros já publicados pelo inglês, também roteirista. E isso fez toda a diferença. Agora, consigo entender porque a discrepância entre as obras. Na verdade, se trata apenas de uma evolução natural da escrita do autor.  Tanto que O Substituo não traz a narrativa consistente de Um Dia, mas também não nos apresenta uma história oca como Resposta Certa.

Aqui, Nicholls consegue trabalhar o humor muito bem. Você ri com o livro, mas não aquela risada histérica. É algo mais do tipo “O que mais falta acontecer?”, e a risada sai natural. Piada cotidiana, sabe? Situações que podem acontecer comigo e com você (tá certo, algumas nem tanto – mas funcionam no livro).

“Como a maioria das pessoas que mora numa cidade grande, Stephen vivia com a constante e aflitiva impressão de que todos levavam uma vida muito, muito melhor que a dele.”

O protagonista é uma figura pitoresca, que se mete em umas ciladas que estão na cara, com dizeres em neon “Cuidado!”, mas que ele segue em frente. Talvez porque ele acredita que a sorte pode estar na próxima esquina. E aqui vem a parte mais bacana do livro e a moral da história dele: não desistir do seu sonho. Stephen é guerreiro. Mesmo nas adversidades e com tudo dando errado, ele crê no objetivo que traçou lá na adolescência: ser um astro. Então, ele corre atrás – mesmo de formas pouco convencionais (algumas pouco nobres). Ninguém, porém, é de ferro. A idade chega, as dívidas também e, quando ele olha ao redor, e vê que ainda vive como se fosse adolescente (mesmo tendo uma filha e já tendo sido casado), se pergunta “Estou realmente fazendo a coisa certa?”. Sei que os idealista diriam “Sim, tudo é válido pelo sonho!” ou a famosa “Dreams come true!”. Lindo isso, mas a verdade nua e crua é que nem todos alcançam seus objetivos, certo? E Stephen sabe disso. Humano como qualquer um de nós, ele se permite ter dúvida.

<obs>Falando sobre objetivos e sonhos, recentemente, li uma matéria sobre a Geração Y que também trata do assunto de certa forma. Leiam. Muito boa. –> Por que a Geração Y é infeliz? </obs>

Outro destaque é a ambientação do livro. Nicholls faz citações pertinentes sobre a cultura do cinema e teatro. As referências são tantas e diversas, que em algumas confesso que tive que buscar informação para saber do que se tratava. Esse vasto conhecimento tem um motivo: o autor já fez pequenos papeis em peças, sob o nome de David Holdaway. Seria Stephen seu alter-ego? Acredito que sim.

Se por um lado, o autor acertou na caracterização, no personagem principal, na lição de moral e no humor, ele pecou na técnica. De alguma forma, o livro parecia não terminar nunca. A narrativa dava voltas e parava no mesmo lugar. Capítulos inteiros (às vezes dois!) para narrar uma festa que teve um ou dois acontecimentos relevantes para a trama. Enfiou tanto detalhe, que no final, não fez diferença… Literalmente. O final é caótico. Muitas coisas acontecem e a abertura de interpretação que ele deixou não ficou legal. A verdade é que, quando terminei, pensei que faltavam folhas. Mas, não era aquela coisa esquisita mesmo.

Com altos e baixos e humor dosado, O Substituto aborda questões pertinentes sobre o que é sucesso e como podemos julgar um fracasso. Perguntas importantes para a nossa atualidade, onde (quase) tudo é permitido para se alcançar a fama, pois para você “existir” tem que “aparecer”.

“A vida parecia sempre melhor, mais verdadeira e mais intensa, quanto mais se parecesse à vida simulada na tela: cheia de cortes e câmera lenta, tiradas ágeis e escurecimentos significativos.”

Título: O Substituto
Autor: David Nicholls
Páginas: 320
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Avaliação: 3.5

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[ resenha ] A Dádiva do Lobo, Anne Rice @editorarocco

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Na costa da Carolina do Norte, o jovem jornalista Reuben Golding prepara uma reportagem sobre a enorme propriedade do desaparecido Felix Nideck e acaba se envolvendo com a herdeira Marchent Nideck. Após algumas horas na mansão, porém, Reuben é atacado por uma criatura que o transforma em um lobisomem. Depois de tornar-se um tipo controvertido de herói na cidade, por ajudar quem está em apuros, Reuben precisa esconder-se da polícia, dos médicos e até da própria família, e aprender a lidar com suas novas habilidades. Primeiro livro da nova série da consagrada Anne Rice, A dádiva do lobo foi elogiado na imprensa americana.

Quer aprender o que não se fazer com um mito? Leia A Dádiva do Lobo (Rocco), de Anne Rice. Mesmo os anos de experiência e o currículo de dezenas de livros lançados, não impediram que a autora norte-americana, com leitores fieis por todo o mundo, errasse na mão nesse que é o seu 35º livro (contando com os que ela lançou sob pseudônimos) e início de uma série.

O lobisomem que é uma espécie de anti-herói charmoso, másculo e com temperamento forte ficou reduzido a um garoto que cheira a leite, chorão, bobão apaixonado e protetor (alguém me explica a graça nos homens altamente protetores que rondam a literatura atual?). Resumindo: mais fêmea do que eu. Ele não convence nem quando fica na forma de lobo e sua natureza animal aflora.

Entendi o que ela quis fazer: mostrar um lado humano e filosófico do lobisomem, mas não deu certo. Não tenho nada contra versões de mitos. Acho que tudo está aí para experimentarmos e darmos o toque pessoal mesmo. A questão é que ela foi de um extremo a outro. O lobisomem dela (ou lobo-homem, como chama) é uma espécie de irmão mal feito de alguns heróis do quadrinho (jornalista prodígio – oi? Já li isso antes?). As questões morais levantadas são rasas e ele nunca pensa nelas por mais que dez minutos porque: 1. ou escuta vozes que clamam por ajuda e não consegue deixá-las de lado e vai lá retalhar as pessoas que estão fazendo mal a outras, ou 2. está fazendo sexo (na forma de lobo, bom frisar) com sua amada. Nem vou entrar no mérito desse sexo animal, que já acho esquisito por demais…

O choque de Reuben ao se ver pela primeira vez como lobo-homem.
O choque de Reuben ao se ver pela primeira vez como lobo-homem.

Soma-se a isso, uma narrativa inconstante. A obra começa de forma lenta, quase parando, em um capítulo necessário, mas enfadonho e completamente editável. Nas páginas seguintes, a história ganha rapidez, mas aí, logo volta a ficar paradona. O ritmo é sempre esse: agilidade e monotonia andam de mãos dadas e isso me fez em algumas vezes querer desistir da leitura. Mas quando a parte boa chegava, eu mantinha a esperança de que continuasse assim até o final, né? Me enganaram.

Os vários objetivos e mistérios a serem desvendados ao longo do livro, ficaram no esquema: mistério / busca de provas / resolução. E aí começava outro mistério. Entendeu? Ficou muito bê-a-bá, mobral. Eles não se entrelaçaram, não criaram uma rede complexa de acontecimentos. Talvez pelo protagonista ser meio lerdo. Porque até para ver o óbvio ele precisava da ajuda de alguém. Tem um cena que isso fica tão explicito, quando sua amada lhe explica uma situação como uma professora primária falando com uma criança, que me deu vontade de rir.

A parte gráfica está bem característica da Rocco, ou seja, nada demais: capa simples (detalhe pro metálico do título que sai; pelo amor de Deus, é melhor colocar algo que dure), folhas brancas e diagramação bem comum.

A verdade é que A Dádiva do Lobo poderia ter cerca de cem páginas a menos, poderia ser melhor elaborado, poderia não ser uma série (!!!), poderia ter um lobisomem a altura. Poderia, apenas, ser um bom livro, mas regular é o máximo que alcança. Se você achou vampiro purpurinado o pior que poderia acontecer com um mito é porque não leu A Dádiva do Lobo.

Título: A Dádiva do Lobo
Autor: Anne Rice
Páginas: 477
Editora: Rocco
Ano: 2013
Avaliação: 1.5

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[ resenha ] Sombras Vivas, Cornelia Funke

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Mais uma vez no Mundo do Espelho, Jacob Reckless precisa se libertar de uma maldição que em poucos meses lhe custará a vida. Depois de tentar diferentes formas de magia, sua última opção é uma lendária balestra, capaz de dizimar exércitos, mas também de salvar aqueles que realmente precisam. Para encontrar esse objeto extraordinário, ele terá de viajar por Álbion, Lorena e Austrásia, enfrentar criaturas terríveis e competir com Nerron, um ser perigosíssimo que está decidido a derrotá-lo a qualquer custo e a ser o primeiro a encontrar a balestra, para então ser tornar o caçador de tesouros mais talentoso de todos. Jacob não tem tempo a perder. E se não fosse a presença de Fux, sua companheira de aventuras capaz de assumir tanto a forma humana quanto a figura de uma raposa, ele talvez não tivesse forças para encarar tantos obstáculos. Só assim, no limite entre a vida e a morte, ele conseguirá perceber que existem tesouros ainda mais preciosos que sua própria vida.

Ah, gente. Cada vez que leio um livro da Cornelia Funke me apaixono mais. Diva, diva, DIVA. Dá vontade de morrer de tão bom. *aloka* Ok, vou tentar manter a sensatez e pôr a tietagem de lado.

Então.

Cornelia Funke é sinônimo de sucesso. Mais conhecida pela trilogia de fantasia infantojuvenil Coração de Tinta, a autora, que também é ilustradora, tem cerca de 50 livros publicados, em dezenas de países.

A série Mirror World teve seu primeiro livro (Reckless) lançado em 2010 (no Brasil, chama-se A Maldição da Pedra e foi lançado pela Cia das Letras em 2011), e a sua continuação, Sombras Vivas (Fearless) esse ano. A concepção dos livros teve o apoio de Lionel Wigram produtor de cinema e roteirista britânico, mais conhecido com a sua contribuição nos filmes de Harry Potter. Acredito que daí venha a sensibilidade cinematográfica da série. Antes mesmo de saber de seu envolvimento nos livros, conseguia identificar o apelo visual das cenas. Se virar filme, tem tudo para ser sucesso.

Até porque uma obra que se propõe a homenagear os irmãos Grimm, trazendo diversas referências da vida dos dois irmãos, mas também de seus personagens lendários, não tem como dar errado. Encontramos os anões da Branca de Neve, o Barba Azul, o cabelo da Rapunzel etc etc etc. E Cornelia toma posse desses seres de tal forma, que parece que ela mesmo os criou. Em momento algum ela “envergonha” os clássicos dos Grimm, muito pelo contrário, se curva em uma reverência diante deles e os aproveita para a sua própria história de maneira sublime.

A narrativa da autora continua se destacando com suas descrições precisas e belamente construídas, que, com uma sensibilidade ímpar cria um cenário fantástico ao alcance das mãos dos leitores. Ela faz fantasia parecer tão simples… Quando, na verdade, sabemos que não é. Suas metáforas únicas novamente ganham destaque. Não sei o que ela come no café da manhã, mas deve ser algo doido porque haja eficiência. As comparações são ricas, originais e capazes de instigar as mentes mais preguiçosas.

Mapa do Mirror World, ilustração da própria Cornelia Funke.
Mapa do Mirror World, ilustração da própria Cornelia Funke.

O que também gostei foi de ver a linguagem de Funke para um público mais adulto, afinal o livro é para jovens – o próprio Jacob tem 25 anos. Alguns podem pensar que a sua narrativa aqui é simples, quase infantil, mas não é isso o que acontece. A diferença é que Cornelia trata assuntos sérios (e relacionamentos também) com o devido cuidado e respeito que emoções importantes merecem, então, não espere ler “pegação”. O desejo existe mas não é escrachado. As lutas e mortes existem, mas das páginas não pingam sangue.

<amor> Por falar em relacionamentos… Jacob e Fux. Ai, torço tanto por eles. Nesse livro, Jacob “acorda pra vida” aos poucos e deixa de olhar Fux apenas como uma garotinha. Own, <3 </amor>

Os personagens são multidimensionais e suas histórias de background complexas. As motivações de cada um trazem um misto de ato heroico, mas também egoico. Jacob é o exemplo clássico disso. Apesar de ser um caçador de tesouros que só pensa no qual próximo tesouro a ser conquistado, faz tudo por aqueles que ama, mas é incapaz de fazer algo por si mesmo, ainda que a morte esteja à porta. Quer dizer, ele até tenta e vai em busca da cura, mas você percebe que é mais por qualquer outro motivo do que simplesmente por ele querer viver. Gradativamente, porém, ele vai mudando de ideia e entende que morto, não conseguirá conquistar o maior dos tesouros, pois percebeu sua importância tarde demais… Fux, sua fiel amiga humana/raposa, o faz prosseguir e não deixe que ele desista. A amizade e confiança entre eles é muito bonita. Até mesmo o anão ganancioso, Valiant, de princípios pouco nobres, ajuda na dinâmica da amizade deles. Em contrapartida, os vilões cumprem bem o seu papel, se colocando no caminho deles a todo instante (Goyls, caçador de tesouro rival e fadas. Ah, adorei as fadas do mal. Hohoho)

Resumindo, Sombras Vivas é um baita livro. Cornelia Funke manteve o pique do primeiro e não deixou nada a desejar. O único desejo aqui é a ansiedade para ler a continuação, já que o gancho que ela deixou para ele é f***. Só fico na torcida para que não demore mais três anos para o lançamento. Enquanto isso, vou lendo e relendo os livros já lançados dessa série que, para mim, é a melhor de fantasia jovem da atualidade. Sem exagero. Sem tietagem.

Título: Sombras Vivas
Autor: Cornelia Funke
Páginas: 304
Editora: Seguinte
Ano: 2013
Avaliação: 5.0

E siiiiiiiiiiiiim,  vai rolar promoção no blog do livro! Participe! Boa sorte a todos! :D
Válida entre os dias 27/9 e 18/10.

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[ resenha ] Prodigy, Marie Lu

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Depois de escapar dos militares da República, em Los Angeles, June e Day chegam a Las Vegas no momento em que algo inesperado acontece: o Primeiro Eleitor morre, e o filho dele, Anden, assume o comando da nação. Com a República da América à beira de um colapso, os dois se unem ao grupo de rebeldes conhecidos como Patriotas. Dispostos a ajudar Day a encontrar Éden, seu irmão caçula, e levá-los em segurança até as Colônias, os Patriotas têm apenas uma condição: June e Day devem assassinar o novo Eleitor. A eles é dada a chance de mudar a nação, de finalmente dar voz ao povo, que viveu tempo demais em silêncio. No entanto, quando June descobre que o atual Eleitor não é o ditador que o pai dele fora, ela se vê atormentada pelas suas escolhas. E se Anden significar um novo começo para todos? E se uma revolução for mais do que simplesmente perda e vingança, fúria e sangue? E se os Patriotas estiverem errados?

E aí, quando você termina o livro, quer jogá-lo pela janela de tanta raiva!? Como lidar? >.< Mas calma que isso não é ruim. Quer dizer, para o leitor, em um primeiro momento é, mas é o resultado positivo de uma história com um ótimo gancho para a sequência. Tô com aquela famosa vontade de querer a continuação pra ontem, sabe?

Mas vou ter que esperar até 5 de novembro, quando sairá Champion, último livro da série distópica escrita pela norte-americana Marie Lu. O primeiro livro chama-se Legend (confira a vídeo resenha aqui), e o segundo, do qual falo agora, Prodigy. Todos lançados pela editora Prumo.

A autora leva a história a um nível mais interessante. Ela mantém o ritmo do primeiro, mas aqui ela amplia a visão do mundo caótico que criou. Certezas do livro anterior são colocadas em xeque. Uma, por exemplo, é a oposição. Como ela funciona? O que e quem está por detrás dela? A diferença de classes sociais entre June e Day fica mais gritante também. Há uma cena em que discutem o assunto e os argumentos de ambos deixam o leitor dividido. Afinal, o ódio de Day que passou uma vida de privações e teve a sua família destruída por conta de “riquinhos” é irracional, mas compreensível em se tratando de sentimentos. Por outro lado, June não tem culpa de ter nascido em uma família rica, mas como consegue pôr a sua fé em um sistema que deu tão errado, e que também destruiu a sua família? Talvez por somente conhecer esse tipo de vida. Percebe que não há uma lado só da história? Não dá para dizer quem está certo e quem está errado.

Página 217
Página 217

Novos personagens e aprofundamentos dos já conhecidos são decisivos para essa visão mais detalhada do submundo da República. Destaque para a personagem Kaede, que se mostra uma peça fundamental, principalmente na segunda metade da obra.

A relação de Day e June está ainda melhor e conflitante. Ok, eles se conhecem há pouco tempo e isso tende a irritar, mas aqui não há melação, então dá pra passar sem traumas. Há uma tensão e atração entre eles, e tudo é tão caótico que mal dá tempo para eles respirarem, quanto mais pensarem no que sentem. Um vez ou outra eles até pensam, mas a certeza do sentimento nunca está presente… E claro que dá raivinha em algumas cenas de chove-não-molha, pois sabemos o que se passa na cabeça deles (assim como no livro anterior os capítulos são intercalados pelo pdv de June e Day), mas eles não se expressam sobre o assunto e acabam entendendo um ao outro de modo errado.

Aliás, os dois pontos de vista são concisos e ágeis. Diálogos espertos e narrativa sem gordura – o básico para entender, visualizar o espaço e pronto. Isso não impede ou atrapalha o desenvolvimento do plot, apenas não o torna muito complexo. Consigo conviver com isso. Marie Lu compensa com personagens bacanas, narrativa boa e questionamentos sobre conflitos de interesse.

Prodigy conseguiu cumprir o seu papel de entreter sem compromisso e despretensiosamente. Basta o leitor se desapegar de algumas exigências e ser feliz. Foi o que fiz e não me arrependo. Que venha Champion. Que venham os filmes da série (os direitos foram vendidos).

Título: Prodigy
Autor: Marie Lu
Páginas: 304
Editora: Rocco
Ano: 2013
Avaliação: 4.0

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[ resenha ] A Classe Não Está Dispensada, Gitty Daneshvary

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Na divertida sequência de Escola do Medo, a excêntrica sra. Wellington convoca Madeleine, Theodore, Lulu e Garrison para um treinamento obrigatório, depois de descobrir que os quatro haviam escapado da exclusiva e misteriosa escola que promete ajudar as crianças a vencerem seus medos. Mas se enfrentar suas fobias com a ajuda dos métodos nada ortodoxos da instituição já havia sido assustador, agora, com a chegada de um novo colega, as coisas ficarão ainda mais apavorantes para o quarteto. Em A classe não está dispensada, Gitty Daneshvari prova que sabe como ninguém misturar terror e boas gargalhadas.

Em A Classe Não Está Dispensada (Rocco), continuação de Escola do Medo, a autora norte-americana Gitty Daneshvari está com a sua veia humorística mais afiada. A todo momento, a piada está presente e arranca risadas do leitor. A questão é que a arte de se fazer comédia não é tão simples quanto parece. Um texto que tem o objetivo de te fazer rir a cada parágrafo soa desesperado e cansa.   Há que se ter equilíbrio e vemos pouco por aqui. Gitty errou na mão e a tentativa de fazer o leitor gargalhar se Traduz em um recado do tipo: “Ria, por favor! Olha como sou engraçada! Ra! Ra! Ra!”

Ra.

Só que não.

Esse não é o único exagero do livro. Na verdade, é uma causa do que vem a seguir: preocupada em fazer piada, Gitty esqueceu-se do principal, que era criar uma história. O livro demora uma eternidade para começar, e o objetivo dele fica perdido em meio a palavras soltas ao vento (lê-se piadas vazias, sem chegar a lugar algum).

A bem da verdade, o plot do livro é fraco. Toda a situação ao entorno da professora e suas perucas e concursos de beleza e blábláblá me pareceram um motivo muito pouco convincente para fazerem as crianças voltarem ao treinamento.  Quer dizer, sendo sincera, pouca coisa aqui faz sentido. O livro é meio sem pé nem cabeça, possui um absurdo característico. E pensar que a autora tem/tinha uma ótima premissa para desenvolver a série… Imagine o mundo de possibilidades que existe para falar sobre medos no universo infantojuvenil. Meus olhos brilham só de pensar!

Páginas 168 e 169
Páginas 168 e 169

Claro que A Classe Não Está Dispensada tem os seus bons momentos. A maioria deles aparece quando o humor não é forçado, as alfinetadas entre Lulu e Theo são ótimas! O ponto forte, entretanto, é a dinâmica da amizade das crianças, que faz com que tudo engrene e flua, conseguindo fazer com que o leitor curta a história – principalmente nas páginas final, com a volta de um personagem misterioso que é citado no primeiro livro. A inserção de uma nova personagem, Hyacinth, com seu ferret, dá um gás e ritmo para a trama. A personagem é louquinha e seu medo de ficar sozinha a torna altamente identificável. Quem nunca conheceu uma pessoa mala, grude, que precisa de atenção desesperadamente?

O interessante é o nível hard ao qual a autora eleva os medos das crianças. Claro que ela faz isso com o propósito de fazer com que vistam a fantasia de serem mais leves, mas, ao olharmos atentamente, podemos identificar vestígios deles em nós e nas pessoas ao nosso redor.

A parte gráfica continua ótima, com os detalhes e ilustrações belíssimas de Carrie Gifford – de quem sou mega fã.

Página 232 e 233
Página 232 e 233

Por fim, A Classe Não Está Dispensada é uma continuação bem xoxa. É o típico livro com potencial que se perde na falta de estrutura e desenvolvimento em troca de algumas piadinhas. Alguém aí sabe qual é o nome para o medo de continuação de série? É o que sinto em relação a esta.

Título: A Classe Não Está Dispensada – Escola do Medo 2
Autor: Gitty Daneshvari
Páginas: 304
Editora: Rocco
Ano: 2013
Avaliação: 2.0

 

Quer ganhar o livro? Participe do sorteio! :D

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[ resenha ] Easy, Tammara Webber

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Quando Jacqueline segue o namorado de longa data para a faculdade que ele escolheu, a última coisa que ela espera é levar um fora no segundo ano. Depois de duas semanas em estado de choque, ela acorda para sua nova realidade: ela está solteira, frequentando uma universidade que nunca quis, ignorada por seu antigo círculo de amigos e, pela primeira vez na vida, quase repetindo em uma matéria. Ao sair de uma festa sozinha, Jacqueline é atacada por um colega de seu ex. Salva por um cara lindo e misterioso que parece estar no lugar certo na hora certa, ela só quer esquecer aquela noite — mas Lucas, o cara que a ajudou, agora parece estar em todos os lugares. A atração entre eles é intensa. No entanto, os segredos que Lucas esconde ameaçam separá-los. Mas eles vão ter de descobrir que somente juntos podem lutar contra a dor e a culpa, enfrentar a verdade — e encontrar o poder inesperado do amor.

Escuto falar desse livro há eras. Tita Mirra (Rock ‘N’ Romance) foi a responsável por encher minha cabecinha sobre o livro. Andy (Mon Petit Poison) também entrou na brincadeira. Todas surtando pelo livro. Depois de ler Belo Desastre e Métrica, porém, fiquei meio descrente de new adult e não levei muita fé em Easy (Verus).

Então, o livro chegou às minhas mãos e, em um dia e meio, li o dito cujo.

Quando declarei no Twitter que havia terminado de ler Easy e gostado, foi um choque. As pessoas agiram como se eu tivesse três cabeças. Ou pensaram que alguém havia hackeado meu Twitter. [Gente, quem ia perder o tempo fazendo isso?] “Mas coooooooooooomo? Glei gostando de Easy? Ela odeia livros do tipo. Só falta queimar em fogueira no meio da praça todos os new adults que lê.” Calma, gente. Pra tudo há uma explicação na vida. Quer dizer, nem tudo. Mas já cansei de falar aqui que gosto de uns livros que sei que são fraquinhos, mas fazer o quê, não é mesmo? Easy é um desses casos.

O livro é bonzinho, mas tem as suas ressalvas, claro. É bacana no contexto no qual está inserido, dentro de suas limitações e naquilo que se propõe, que é basicamente: uma historinha de amor, bem clichê, com umas cenas calientes. Nesses quesitos, Easy não deixa nada a desejar. Tem um romancezinho, tem os clichês que todos já estão carecas de ler, e tem as cenas “uh-la-la”.

A história é interessante e tem um desenvolvimento razoável. Quer dizer, há uma história coesa, gente. Já é progresso em se tratando de new adult. O drama da protagonista é bem abordado – dentro do limite do gênero. Vale ressaltar que não é drama, então, o seu objetivo não é se aprofundar no tema violência sexual, mas cumpre o seu papel e é até legal quando fala de defesa pessoal e tals. Por outro lado… A mocinha até que passou “bem” pelo trauma. Dias após o ocorrido conseguiu sentir-se atraída por um homem. Tá certo. É o Lucas. Gatão. Poderoso. Herói. Mas né?

Aliás, por falar em Lucas… Ele é o príncipe no cavalo branco de qualquer mulher moderna. É gato, misterioso, sensível, forte, um cado atormentado pelo passado, cavalheiro, tem pegada, inteligente. Resumindo: não existe. E é por isso que #todasseapaixonam. Ele é tão perfeito, mas tão perfeito, que burla a lei da física e consegue estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Ou, no mínimo, tem um vira tempo pra conseguir fazer todas as coisas narradas no livro. O cara conserta ar condicionado, salva a mocinha, estuda pra caramba, trabalha no Starbucks, dá aula de defesa pessoal… Só faltou dizer que ele era fera em dar um duplo twist carpado.

A narrativa da autora é boa. Webber consegue conduzir a história de modo que você gruda no livro como superbonder e só consegue largar no final. É algo s e m e x p l i c a ç a o. Quer dizer, até tem. Percebe-se o cuidado dela em escolher uma linguagem acessível pro público jovem, mais dinâmica, utilizando recurso de mensagens de e-mail, sms e outros. As pessoas acham que isso é molezinha, mas não é, gente. Tem tanto livro pra jovem, que parece que foi escrito pra um PhD…

A autora insere um suspense na trama. Um até dá certo, que é um caso do passado que deixa o gatinho do Lucas atormentado. Juro que não pensei que seria algo tenso do tipo. O sentimento que ficou foi de “realmente, isso sim é razão pro garoto ter essa atitude”. Agora, com relação a uma paradinha que o objetivo era deixar o leitor na dúvida entre Lucas e um outro lá. Pfff. Risível. Qualquer pessoa consegue sacar qual era a do “suspense” na primeira linha.

Mesmo com altos e baixos, gostei SIM de Easy. Tô nem aí se vão achar que é incoerência eu gostar de um new adult e blábláblá. Gostei e assumo sem medo de ser feliz. Vou além e digo que tô doida pra ler a versão do Lucas da história (a autora está trabalhando nisso). Sei que vão vir mais algumas centenas de páginas de clichês e pegação, mas tô nem aí. Sou #TeamLucas com todas as bizarrices às quais tenho direito. <3

Título: Easy
Autor: Tammara Webber
Páginas: 305
Editora: Verus
Ano: 2013
Avaliação: 3.5

 

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