O Nome do VentoO Nome do Vento (Sextante) é o primeiro livro da série A Crônica do Matador do Rei, do escritor norte-americano Patrick Rothfuss. O livro encabeçou a lista dos mais vendidos do The New York Times e ganhou alguns prêmios, como: Writers of the Future (2002), Quill Award (2007), Best Books of the Year (2007) – Publishers Weekly – Science Fiction/Fantasy/Horror, Best Book of 2007 – FantasyLiterature.net. Além disso, George R R Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo) elogiou o trabalho de Patrick. E, sinceramente, foi realmente isso que me impulsionou a ler o livro.

Patrick nos apresenta a história do jovem Kvothe, que viaja com a trupe de artistas Edena Ruth. Sua família, assim como todo o bando que os acompanhava, são massacrados, somente sobrando vivo Kvothe. Os responsáveis pelas mortes fazem parte do grupo chamado Chandriano, que a maioria das pessoas pensa se tratar de um folclore, pois nunca foram pegos, nem vistos por alguém que tenha permanecido vivo para contar.

Sozinho, o menino tenta sobreviver como pode e coloca uma meta em sua cabeça: saber tudo sobre o Chandriano e descobrir o motivo da morte de seus pais e de toda trupe. Para isso, faz tudo o que pode para ter acesso ao Arquivo – maior acervo de livros daquela terra. Para tanto, precisa entrar na Universidade para se tornar um Arcanista. O percurso, porém, que terá que percorrer até chegar lá é extenso, perigoso e cheio de privações. Músico excepcional, é na música que ele consegue juntar forças, quando se perde na melodia ao tocar alaúde.

Meu nome é Kvothe, com pronuncia semelhante a de ‘Kuouth’, Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nome do que alguem tem o direito de possuir. Meu primeiro mentor me chamava de E’lir, porque eu era inteligente e sabia disso. Minha primeira amada de verdade me chamava de Duleitor, porque gostava desse som. Já fui chamado de umbroso, Dedo-Leve e Seis-Cordas. Fui chamado de Kvothe, o Sem-Sangue; Kvothe, O Arcano, o Matador do Rei, Mereci esses nomes, Comprei e paguei por eles. Mas fui criado como Kvothe, uma vez meu pai disse que isso significava ‘saber’. Fui chamado de muitas outras coisas é claro. Grosseiras na maioria, embora pouquíssimas não tenham sido merecidas. Já resgatei princesas de Reis adormecidos em sepulcros, incendiei a cidade de Trebon. Passei a noite com Fleuriana e sai com minha sanidade e minha vida. Fui expulso da universidade com menos idade do que a maioria das pessoas consegue ingressar nela. caminhei a luz do luar por trilhas de que os outros temem falar durante o dia.

Acabei de ler o livro faz uma semana e não escrevi uma linha desde então sobre o que achei dele. Nem rascunho. Nem marquei parte alguma dele. Simplesmente porque não consegui. Tenho ainda a história na minha cabeça, os personagens, aquele mundo inventado por Patrick. E é algo tão bom, mas tão bom, que tenho receio de escrever uma resenha que não transmita um terço do que achei do livro.

Mas tenho que tentar, né? Só não sei como, nem por onde, mas vamos lá.

A grande sacada do livro é o personagem principal, Kvothe. Ambicioso, ousado, educado, gentil, corajoso, sensível, orgulhoso, inteligente, músico. Ele é uma contradição ambulante. É clichê o que vou dizer, mas é simplesmente impossível não se apaixonar por ele. Exala vida dele por todos os poros. Vida e humanidade. E, gente, isso é tão dificil de fazer quando é uma pessoa que só existe no papel.

O Nome do Vento é de uma sensibilidade à natureza humana impressionante. Vemos inveja, ambição, mas também vemos companheirismo e valor moral. Não só em Kvothe, mas em seus companheiros de Universidade, na bela Deena, até no irritante Ambrose. É uma coleção de personagens ambíguos por todo lado.

Se você parar pra pensar, a trama é batida. Garoto pobre cujos pais morrem de modo trágico que vai em busca de vingança. Mas é o que digo, quase como um mantra: ‘O problema não é ser clichê, é a pessoa saber escrever o clichê.’ E Patrick faz isso perfeitamente, pois insere todo um mundo fantasioso de dragões e alquimia e música. A magia é tão sutilmente apresentada que você acredita naquele mundo e nada soa forçado. Até as explicações sobre alquimia você pensa que poderiam ser verdadeiras. Não é como se Kvothe tirasse um coelho da cartola.

Sua narrativa é esperta, com humor na dose certa, sem muitas delongas e com capítulos curtos, que misturam passado e presente (mais passado). É basicamente um Kvothe mais velho, triste e sombrio, contando seu feitos estraordinários quando jovem.

Percebemos que a história vai e vem. A jornada do herói não segue a linha padrão, o que faz com que a estrutura do livro fique cheia de altos e baixos. Mas quer saber? Nesse caso, dane-se a estrutura. O que Patrick pretende aqui vai além disso. É visceral. Como já dito, tem vida; e a estrutura vai-e-vem pouco me incomodou diante de um livro tão bom.

O segundo livro da série chama-se O Temor do Sábio, e já foi lançado no Brasil. O terceiro, ainda não tem previsão de lançamento, mas o título provável será The Dorrs Of Stone.

Livro: O Nome do Vento
Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Sextante
Ano: 2012
Páginas: 656
Avaliação5.0

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