[ resenha ] Entre o Agora e o Nunca e Entre o Agora e o Para Sempre, J.A Redmerski @Suma_BR

Por Raphaela Barros

Quando a Gleice me deu os livros para ler, juro que eu imaginava algum romance erótico bem meia boca, que eu confesso, gosto demais. E eu simplesmente a-m-o quando sou surpreendida, me envolvo com a história: ela me faz rir, ficar angustiada, imaginando o desfecho. E foi exatamente isso que aconteceu com Entre o Agora e o Nunca – a começar pelo fato de não ser erótico. Eu não tinha lido nenhum livro esse ano ainda que realmente me prendesse a atenção e que me envolvesse a ponto de não desgrudar do livro. E isso aconteceu aqui e eu estou simplesmente in love. Isso se deve, acredito, pela identificação com a personagem principal e pela escrita cativante e divertida.

O sonho de Camryn é viajar com uma mochila nas costas pelo mundo. Porém, a realidade é diferente: ela mora com a mãe e tem um trabalho que não gosta. Depois de problemas com a melhor amiga que acredita que ela está afim do namorado e a morte de alguém muito próximo e querido, Cam decide, em um impulso, comprar uma passagem de ônibus sem saber qual destino ela tomará, já que poderá descer em qualquer cidade do trajeto. No meio do caminho, esbarra em Andrew, que também está com problemas que não consegue lidar. Depois de muitas idas e vindas, reviravoltas, troca de palavras e – por que não? – de insultos sutis, a aproximação é inevitável e, motivados pelos recentes acontecimentos que de alguma forma os une, Cam topa entrar no carro com Andrew e deixar a estrada guiá-los. E nessa estrada as experiências serão muitas, criando uma conexão incrível entre os dois e ajudando-os a superar os traumas e problemas.

A força dessa história é, sem dúvida nenhuma, a interação entre o casal principal. Acreditem, vocês vão se envolver de uma forma que será como se estivessem viajando junto com eles no carro. Claro, vocês também terão que engolir uma ou duas cenas que são um pouco forçadas, mas todas as outras são bastante plausíveis.

O Andrew tem a personalidade bastante intensa, sendo muito charmoso e, obviamente, lindo, além de inteligente. Ele é um pouco explosivo, mas consegue contrabalancear com as cenas fofas e respostas espirituosas. Ele provoca a Cam para que ela responda aquilo que realmente seria a sua resposta e não algo para satisfazer os outros. Ela rebate, fazendo com que ele se abra e vá contando mais sobre a sua própria história. Já a nossa protagonista Cam se mostra frágil em alguns momentos e em outros, totalmente determinada. Por não ter experiência, Andrew meio que a ensina todas as coisas que podem acontecer quando se viaja de carro. Ele mostra que ela pode viver a própria vida como quiser, bem no estilo Carpe Diem.

E essa é uma parte que eu realmente gosto na história: o fato que os personagens deixaram a vida que todos costumam dizer que é a certa para seguir a causa na qual acreditam. Em algumas falas da Cam eu consegui me identificar tanto que quase falei: – aaaaaaahh, não acredito que alguém escreveu um trecho dos meus dilemas!

As cenas são bem desenvolvidas, alternando os pontos de vistas da Cam e do Andrew, com as sensuais nos pontos e doses certas, apenas para fazer você sentir que aquilo realmente deveria acontecer e não soar forçado. Na maior parte elas são engraçadas e divertidas, com tiradinhas que fazem você dar aquele sorriso bobo, com frases de efeito repletas de ‘ouuuuuw quero um Andrew para mim’ e com as cenas de fazer chorar dosadas corretamente. A autora também relata de forma convincente como é passar noites em hotéis, problemas com mecânicos, esperas e acontecimentos não planejados.

Me incomodou um pouco o modo coloquial como foi traduzido, mas imagino que a autora também possa ter escrito assim. De forma geral, foi uma leitura bastante agradável. Algumas pessoas acharam determinadas partes monótonas, mas a leitura encaixou perfeitamente para mim. Um enredo que é um pouco forçado no início, mas que vai tomando forma de modo a ficar convincente, traumas bem vívidos dos personagens, mas nada original (isso não é uma crítica negativa!), texto com bons diálogos e um dois personagens totalmente apaixonantes.

O final do livro deixa uma brecha para a continuação, Entre o Agora e o Para Sempre, que para mim, não deveria ter acontecido.

Eu vou tentar falar do segundo livro de maneira com que eu não deixe spoilers para vocês e resumidamente: Entre o Agora e o Para Sempre é praticamente uma releitura do primeiro livro, com algumas diferenças: uma Cam mais sombria e depressiva e o Andrew tentando ajudá-la de todas as formas possíveis. Aqui os personagens percebem que não podem continuar apenas indo de uma cidade para outra como se fossem ciganos, principalmente depois de várias notícias que mudam o rumo da história dos dois. É preciso fixar moradia e pensar no futuro. Porém, a autora não conseguiu soltar a imaginação e em diversos momentos é como se eu estivesse lendo o primeiro livro, pois as cenas se encaixariam ali perfeitamente.

Acredito que essa vibe de ter que viajar em momentos tensos da vida pode ajudar a aliviar seu espírito e ver novas oportunidades, mas aqui chegou a um ponto que você fala: para de forçar a barra.

Tem uma passagem de tempo beeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem grande já no final do livro em que a autora foi simplesmente encaixando alguns parágrafos falando sobre o que aconteceu. Em suma: é um livro totalmente dispensável e não necessário. O primeiro? Okay. Fiquei balançada e gostei. O segundo? Não, não deveria ter existido.

Não me julguem mal, em alguns momentos eu apreciei cenas que, isoladas, são bem bacanas, mas que não combinam com o conjunto. A autora poderia ter colocado tudo isso no primeiro livro e ter feito uma história incrível. Desandou com a história e quis dar um final merecido para os personagens, mas soou forçado. Aqui todos os personagens aparecem e têm seu papel no enredo, mas fiquei com a sensação de: deveria ter lido apenas o primeiro.

Título: Entre o Agora e o Nunca e Entre o Agora e o Para Sempre
Título original: The Edge of Never e The Edge of Always
Autora: J.A Redmerski
Editora: Suma de Letras
Ano: 2013 e 2014
Número de páginas: 359 e 303
Tradução: Michele Vartuli

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