A continuação da saga As Crônicas de Gelo e Fogo, escrita por George R R Martin, após 11 anos de espera chegou ao Brasil: A Tormenta de Espadas. O terceiro livro da série (assim como os dois antecessores) ganhou o Locus Award de Melhor Romance e concorreu ao Prêmio Hugo, mas acabou perdendo para Harry Potter e O Cálice de Fogo, de J K Rowling.
A Tormenta de Espadas começa a história um pouco antes de onde terminou A Fúria dos Reis, acrescentando outros pontos de vista para os acontecimentos. Desta vez, há algumas mudanças nos narradores com o acréscimo de Jaime Lannister e Samwell Tarly.
A guerra continua com Stannis Baratheon, Joffrey Baratheon, Balon Greyjoy e Robb Stark se engalfinhando pela coroa dos Sete Reinos. Até mesmo o povo selvagem, liderado por Mance Raider entra na brincadeira, reunindo um enorme exército que conta com mamutes e gigantes para tentar ultrapassar a Muralha, que Jon Snow e alguns poucos patrulheiros defendem. Danny Targaryen, por sua vez, quer chegar a Westeros com um efetivo capaz de tomar o Trono de Ferro para si, por isso trava outras batalhas no meio do caminho.
No meio disso tudo, a família Stark ainda está separada: Sansa continua é cativa em Porto Real e um casamento inusitado a aguarda, Arya, perambula com tipos cada vez mais perigosos por toda Westeros recitando firmemente todas as noites a sua lista de pessoas a matar, Brian marcha para além da Muralha com Hodor e seus amigos verdes em busca do corvo de três olhos.
Magia, mistério e eventos sobrenaturais ganham espaço maior na história, fazendo com que os acontecimentos sejam imprevisíveis. A cada nova página, a criatividade de George R R Martin se supera e você se pergunta como isso tudo pode sair de um só cérebro. Gênio. É a única explicação.
?Então que os Outro a levem – praguejou Robb, numa fúria causada pelo desespero. – E o maldito Rickard Karstark também. E Theon Greyjoy, Walder Frey, Tywin Lannister e todos os outros. Pela bondade dos deuses, por que alguém haveria de querer ser rei? Quando todos estavam gritando Rei No Norte, Rei No Norte, eu disse a mim mesmo… jurei a mim mesmo… que seria um bom rei, tão honrado quanto o pai, forte, justo, leal para com meus amigos e bravo quando enfrentasse os inimigos… agora sequer sei distingui-los uns dos outros. Como foi que tudo isso ficou tão confuso?
George R R Martin consegue de novo fazer um ótimo livro e não sei como ainda isso me surpreende. O que mais me chama atenção em sua série é a capacidade que ele tem de nos fazer amar seus personagens mais controversos. Eu odiava o Jaime Lannister, mas bastou para que o mesmo virasse narrador em alguns capítulos deste livro para eu passar a ter compaixão por ele. Ele tem seus méritos, e me atrevo a dizer, é um cara bacana, no fundo, e lembra muito o meu querido Tyrion (irmão dele). A grande bitch da história mesmo continua sendo a Cersei Lannister e ainda não engoli a Sansa Stark muito bem, mas não duvido que lá na frente, nos outros livros, ele mude isso e eu passe a gostar dessas personagens.
Os desencontros da história me levaram à loucura, sempre quando pensava que algo finalmente ia dar certo, lá ia Tio George mudar tudo. Que raiva. Ficava sempre no quase, com gostinho de esperança, que depois ficava amargo quando nada de bom acontecia.
Aliás, que livro foi esse? Tudo, para todos, deu errado. Sem exceção. Seja por obra do destino, mero acaso ou por decisões idiotas dos personagens, ninguém escapa da dor. Além disso, GRRM continuou com a sua tradição de matar personagens queridos (óbvio que não vou dizer quais) e de fazer sofrer os que restaram, mas dessa vez foi diferente. Agora que acabei de ler, que percebo que é um livro mais pesado que os anteriores (e aqui, não estou fazendo alusão às suas 884 páginas). Há desolação por todo lado, e, nesse aspecto, o título cai muito bem.
Em certo momento, não torcia por nenhum Rei, só queria logo que a guerra acabasse e tivesse alguns finais felizes. E qualquer Rei pra mim estava bom – na verdade, até me simpatizei pelo selvagem Mance, com seus ideais anárquicos de povo livre e de não dobrar o joelho pra ninguém.
Mas do jeito que as coisas estão em Westeros, a guerra está longe de acabar. E o final do livro, junto com o epílogo, te deixam com um WTF entalado na garganta, sem ter a mínima idéia do que vai acontecer no próximo livro, O Festim dos Corvos.
Livro: A Tormenta de Espadas (The Storm Of The Swords)
Autor: George R R Martin
Editora: LeYa
Ano: 2011 (originalmente 2001)
Páginas: 222
Avaliação: ![]()
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2 Comentários
Muito bom!!!!
Fico pensando como você consegue se conter em não dar spoillers >.<
Por sua resenha Martin continua matando alguns, mas pensemos, os livros tratam de uma guerra… Na guerra pessoas morrem, e não importa o quanto a amamos e admiramos.
Realmente Martin ainda consegue prender minha atenção, devorei cada palavra da sua resenha, e vou ficar saboreando elas até ter a oportunidade de ler 8)