Caminhos de SangueCaminhos de Sangue é o primeiro livro da série Dustlands da atriz e cantora canadense Moyra Young. A obra ganhou o Costa Awards e, ninguém mais, ninguém menos que Riddle Scott (Blade Runner e Alien) adquiriu os direitos para uma adaptação cinematográfica.

Moira estreou na literatura com uma distopia. Em Caminhos de Sangue temos um mundo árido, quente, de população escassa, onde também há falta de itens essenciais para sobrevivência, como mantimentos e água. Lagoa de Prata é assim, e é onde vivem Saba e Lugh (irmãos gêmeos e inseparáveis), com seu pai e irmã mais nova. A vida, mesmo sendo difícil, tornava-se menos sofrida para Saba com Lugh ao seu lado.

Quando, porém, misteriosas pessoas vestidas de negro chegam junto com uma tempestade e levam Lugh, e matam uma pessoa querida, o mundo de Saba desaba. Só restava a ela ir atrás de seu querido irmão. Passando por diversas situações sobre as quais não tem controle, Saba embarca numa busca desenfreada por Lugh, mas também por si mesma: se descobrindo uma lutadora destemida, capaz de brigar pela sua sobrevivência ferozmente. Nessa aventura, Saba tem que aprender a lidar com seus próprios rancores e medos, além de aprender a confiar nas pessoas e a aceitar ajuda delas, pois nenhum caminho é feito para ser seguido solitariamente.

Agora o Lugh tá preso no meio do círculo de cavaleiros. Ele tenta correr por uma brecha. Eles bloqueiam. Ele tropeça, cai, levanta de novo. Na poeirada vermelha, aquilo num parece real. Num fica parado aí!, grito pro Pai. Ajuda!

Pensando no histórico de atrizes/cantoras que se tornaram escritoras (Hilary Duff, Madonna… Oi?) não me animei muito pelo livro. O fato de vir escrito na capa que o livro era “perfeito para fãs de Jogos Vorazes“, também não ajudou muito. A despeito desses meus preconceitos, pude constatar com a história em si que a obra é… Isso mesmo o que esperava: meia-boca.

Caminhos de Sangue tem um quê de Mad Max 3, mas com hormônios adolescente. Já vi isso antes. E se não gostei quando era mais jovem e isso era novidade, imagine agora. Mesmo a história sendo batida, podia ser bacana se os personagens e a narrativa da autora colaborassem… Infelizmente, não é o que acontece.

Os personagens são caricatos. A protagonista audaciosa e durona. A irmã mais nova emotiva. O irmão revoltadinho que some. O homem misterioso e belo que ajuda a mocinha. As amigas da mocinha valentes. E voilá… Um ringue de luta sangrenta onde o objetivo é ninguém sair vivo dali. Ops, dejá vu?

A linguagem foi o que mais me irritou. Entendo o motivo da presença dos erros de português: os ‘falano’, ‘odiano’, ‘num’, ‘tô’, ‘tá’. Em um mundo caótico, de pessoas miseráveis, onde o objetivo principal é sobreviver a mais um dia, quem se importaria com gramática correta? Mas eu não vivo nesse mundo e eu me importo. Ter um ou dois personagens falando de modo errado, você até suporta. Mas uma protagonista narrando em primeira pessoa desta forma… Socorro.

Outra bobeirinha, mas que me também me incomodou foi a ausência de travessões ou aspas para indicar os diálogos. Só sabia que alguém estava falando quando aparecia o inciso (mal) destacado por vírgula. O que custa fazer algumas coisas do modo tradicional, gente? Tudo isso atrapalha a leitura. Será que só eu penso assim? Sou um ET?

O início do livro é entediante. Saba e a irmãzinha são duas maletinhas sem alça. Na arena de luta a situação melhora, apesar da falta de originalidade. O livro chega ao patamar de bom quando o bonitão misterioso e cheio de si entra na história para ajudar Saba a encontrar Lugh. Nem é spoiler eu dizer que formam o casal no livro, né gente? Previsível ao cubo. Os dois, ao menos, funcionam juntos.

Algumas coisas, entretanto, se salvam no livro. Moira é muito boa em descrever cenas de ação, e considero isso tão difícil. Uma cena de ação mal escrita fica parecendo aqueles filmes com “defeitos especiais”, sabe? As ações em Caminhos de Sangue fluem bem e são áridas como todo o clima do livro – chegando a combinar com a paisagem desértica.

Por fim, a história não precisava ser uma série. Percebemos isso claramente no final. A escritora podia ter respondido as questões acerca dos irmãos gêmeos e dos cavaleiros misteriosos neste livro. Até porque o gancho principal para a continuação do livro é fraquíssimo. É o que costumo dizer e as pessoas me chamam de amarga: amor não é sempre a solução mais forte para amarrar uma trama. Em algumas histórias funcionam, em outras não. Foi o caso dessa.

Livro: Caminhos de Sangue
Autor: Moira Young
Editora: Intrínseca
Ano: 2012
Páginas: 352
Avaliação1.5

***

Comentou? Participe do Top Comentarista de Julho e concorra a um kit da Novo Conceito!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...