Roteirista, escritor e editor a frente do selo Fantasy (da editora Casa da Palavra, um braço da LeYa). Não importa a área: em todas, o cara é um sucesso. Mas o que poucos sabem é que, Raphael Draccon, mais conhecido como autor da trilogia Dragões de Éter, foi o responsável por trazer as história de Tio George para terras tupiniquins. Nada mais natural, então, terminar este especial com uma entrevista com ele.

Aqui, falamos sobre a série As Crônicas de Gelo e Fogo, mas também sobre como é estar liderando um selo voltado à literatura fantástica.

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MURMÚRIOS PESSOAIS: Como e quando foi o seu primeiro contato com as obras de Martin?
RAPHAEL DRACCON: Provavelmente em 2008, com a edição portuguesa da editora Saída de Emergência. Fui indicá-la para a editora Leya em julho de 2009.

MP: Já leu 5 cinco livros lançados de As Crônicas de Gelo e Fogo? Há algum preferido?
RD: É uma pergunta difícil, pois qualquer resposta seria injusta com outros volumes. Eu gosto do primeiro, principalmente pelo final de cair o queixo. Gosto do segundo por ver a evolução de dois dos meus personagens preferidos: Jon Snow e Robb Stark. E adoro como vemos nos outros os personagens mais fracos tomando força, como Sansa e Mindinho. É incrível.

MP: Tem ideia do porquê a série faz tanto sucesso?
RD: Porque os personagens são muito reais. É impossível não se reconhecer ali porque todo tipo de personalidade está em algum lado do Jogo dos Tronos. Os diálogos são cinematográficos, repletos de conflito. Os pontos de vistas alternados fazem com que nossa opinião mude de acordo com a cena. Além disso, Martin é capaz de matar personagens a qualquer momento sem apego, o que deixa a tudo imprevisível. É difícil não se apaixonar por uma trama com tamanho complexidade e brilhantismo. Além disso, a série tem Tyrion. Apenas isso já garantiria seu sucesso.

MP: Você já é conhecido pelos livros da série Dragões de Éter, então já tem know how sobre “ser escritor”. Como é estar do outro lado, como editor (do selo Fantasy), avaliando obras alheias?
RD: É complicado porque diminui-se o tempo para ler livros por prazer. Aprende-se muito sobre os bastidores do mercado e o que envolve esse mercado. Autores iniciantes realmente não fazem ideia do que é estar do outro lado e da responsabilidade que envolve, principalmente diante de um grupo grande. Por outro lado, é gratificante a oportunidade de poder trazer ao mercado livros que sempre acreditei que pudéssemos ter acesso por aqui ou revelar autores que trabalham duro para merecer um lugar ao sol.

MP: A Fantasy acabou de lançar Ruas Estranhas – uma compilação de contos selecionados pelo Martin, com autores de peso. Fale um pouco sobre o livro.
George Martin e Gardner Dozois juntaram alguns dos melhores escritores do gênero de fantasia e fizeram uma proposta: escrever um excelente conto envolvendo fantasia urbana, e unindo fantasia/terror e mistério. E eles conseguiram. Os contos finais são maravilhosos. O time contou com nomes que envolviam de Conn Iggulden (série O Imperador) a Charlaine Harris (True Blood). Mais detalhes podem ser visto no site da Fantasy – Casa da Palavra: www.fantasycasadapalavra.com.br

MP: Antes desse lançamento, o selo tinha trabalhando com John Carter, uma romantização do filme dos estúdios Disney. A Fantasy está chegando com força no mercado, mas, por enquanto, com autores internacionais. Há espaço para a fantasia nacional no mercado editorial atual?
Sim, claro. Isso faz parte da proposta também. No dia de hoje foram anunciados, inclusive, os primeiros autores nacionais. Eles podem ser vistos no link: http://www.raphaeldraccon.com/blog/?p=3679

MP: Quais os planos futuros? Tanto como escritor como editor do selo?
RD: A ideia da Fantasy é trazer títulos que unam conteúdo e poder comercial, tanto estrangeiros quanto nacionais. Além dos planos de autores nacionais citados no link anterior, em breve iremos lançar “Crônicas de Coração Valente”, de Jack White, que faz com Willian Wallace o que Bernard Cornwell fez com Rei Arthur, e ainda “Wild Cards”, uma série antiga e também editada George Martin sobre um vírus que desenvolve super-poderes em pessoas comuns durante a II Guerra Mundial. Esse cenário já era conhecido dos jogadores de RPG pelo suplemento que vinha dentro do suplemento Gurps Supers. E agora em agosto, durante a Bienal de SP está marcado o lançamento do meu próximo livro, uma fantasia urbana envolvendo guerras no Sonhar. Em breve teremos mais detalhes e espero de coração que todos apreciem.

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