Arquivo da categoria: Resenhas

[ resenha ] Entre o Agora e o Nunca e Entre o Agora e o Para Sempre, J.A Redmerski @Suma_BR

Por Raphaela Barros

Quando a Gleice me deu os livros para ler, juro que eu imaginava algum romance erótico bem meia boca, que eu confesso, gosto demais. E eu simplesmente a-m-o quando sou surpreendida, me envolvo com a história: ela me faz rir, ficar angustiada, imaginando o desfecho. E foi exatamente isso que aconteceu com Entre o Agora e o Nunca – a começar pelo fato de não ser erótico. Eu não tinha lido nenhum livro esse ano ainda que realmente me prendesse a atenção e que me envolvesse a ponto de não desgrudar do livro. E isso aconteceu aqui e eu estou simplesmente in love. Isso se deve, acredito, pela identificação com a personagem principal e pela escrita cativante e divertida.

O sonho de Camryn é viajar com uma mochila nas costas pelo mundo. Porém, a realidade é diferente: ela mora com a mãe e tem um trabalho que não gosta. Depois de problemas com a melhor amiga que acredita que ela está afim do namorado e a morte de alguém muito próximo e querido, Cam decide, em um impulso, comprar uma passagem de ônibus sem saber qual destino ela tomará, já que poderá descer em qualquer cidade do trajeto. No meio do caminho, esbarra em Andrew, que também está com problemas que não consegue lidar. Depois de muitas idas e vindas, reviravoltas, troca de palavras e – por que não? – de insultos sutis, a aproximação é inevitável e, motivados pelos recentes acontecimentos que de alguma forma os une, Cam topa entrar no carro com Andrew e deixar a estrada guiá-los. E nessa estrada as experiências serão muitas, criando uma conexão incrível entre os dois e ajudando-os a superar os traumas e problemas.

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[ resenha + SORTEIO ] Cemitérios de Dragões, Raphael Draccon @editorarocco

Em diferentes pontos do planeta Terra, cinco pessoas com histórias e origens completamente distintas desaparecem por motivos variados e acordam numa outra realidade. Em meio a guerras envolvendo demônios, dragões, homens-leão, seres fantásticos e metal vivo, os cinco precisam compreender os motivos de estarem ali e combater um mal que talvez não possa ser impedido. Este é o mote de Cemitérios de dragões, o novo romance de Raphael Draccon, que marca a estreia do selo Fantástica. No livro, o autor de Dragões de Éter apresenta uma versão moderna e adulta de um universo inspirado por séries queridas por toda uma geração como Jaspion, Changeman, Flashman, Black Kamen Rider e Power Rangers.

Foi com expectativa que peguei o primeiro livro da nova trilogia de Raphael Draccon, publicado pela Rocco (selo Fantástica), com o título de Cemitérios de Dragões – Legado Ranger. Já li dois livros do autor: Fios de Prata e Espíritos de Gelo (ainda devo a leitura de Dragões de Éter) e curti ambos. Draccon já tem um nome consolidado na literatura fantástica brasileira e, por onde passa, por causa de seus livros, mas também pelo seu carisma, deixa uma leva de aficionados.

Além do nome, ele também já tem estilo de narrativa – na verdade, o consolida nesse lançamento. Você pode me dar um livro com uma capa preta que, pela narrativa dele, vou saber que é do Draccon. Essa individualidade é importante e tem ligação com o que disse no parágrafo anterior: carisma. Mas, aqui, a literária. Então, o que você pode esperar de Cemitérios de Dragões é: tiradas engraçadas, algumas reflexivas, ação (muita!), referências à cultura pop/nerd e fantasia. E o saldo, para mim, foi bem positivo.

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[ resenha + SORTEIO ] O Reino das Vozes que Não se Calam, Carolina Munhóz & Sophia Abrahão @editorarocco

Sophie se esconde de todos e de si mesma: insegura, não consegue enxergar sua beleza e talento, e sente dificuldade em se relacionar com os outros. Seu dia a dia se perde entre os caminhos tortuosos dos que convivem com a depressão e o bullying, e a jovem aos poucos vai se fechando na escuridão de seus pensamentos. Desamparada e sem coragem de lidar com seus problemas, ela acaba descobrindo um lugar mágico: um Reino onde as vozes não se calam e as criaturas encantadas se tornam reais. Um local colorido onde ela finalmente poderá se encontrar. Dividida entre a realidade e a fantasia, Sophie contará com a ajuda preciosa de um rapaz comum e uma guardiã encantada, que lhe mostrarão os segredos da alma e a farão decidir se vale a pena enfrentar seus medos ou viver em um eterno conto de fadas.

O Reino das Vozes que Não se Calam (Rocco) é o quarto livro de Carolina Munhóz, e o primeiro que escreve em parceria (com a atriz/cantora/ex-Rebelde Sophia Abrahão). A Munhóz eu já conhecia, ela traz em seu currículo os livros A Fada, O Inverno das Fadas e Feérica, mas confesso que, por incrível que pareça, até então não fazia ideia de quem era Sophia Abrahão. Descobri que a moça tem um fandom gigante e bem apaixonado, os tirulipos. Logo que saiu a notícia de que escreveriam um livro juntas, a promessa era que mesclariam os “mundos” das duas: escrita os tirulipos. Então, não sabia muito bem o que esperar.

O bacana é que me surpreendi, porque esperava um livro muito menos denso do que O Reino das Vozes que Não se Calam é. Pensei que seria uma leitura leve e com situações amenas, mas nada disso. Nas entrelinhas percebi questões sérias tratadas com o devido cuidado. Gosto de pensar que a literatura jovem pode passar algo mais que diversão quando vista sob uma ótica mais apurada. Temas como bullying, depressão, suicídio, transtorno alimentar e outros são abordados sem camuflagem de palavras.

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[ resenha ] Fama & Loucura, Neil Strauss

Em Fama e Loucura, Neil Strauss (que já trabalhou por mais de vinte anos em algumas das maiores publicações do mundo — como o jornal The New York Times e a revista Rolling Stone) revela 228 entrevistas com alguns dos maiores nomes da música, do cinema e da TV que nunca chegaram a ser publicadas, mostrando os momentos mais insanos e as experiências mais incomuns que já teve com pessoas famosas. Acompanhe as aventuras do autor, enquanto ele bebe com Bruce Springsteen, janta com Gwen Stefani, entra na mesma banheira que Marilyn Manson, fala sobre fama com David Bowie e muito mais.

Adoro entrevistas, tanto ler quanto fazê-las. É sempre bacana conhecer a pessoa por detrás da arte, das ideias. Também considero um feito e tanto conduzir uma boa entrevista e, por isso, quando tenho a oportunidade, leio livros sobre o tema ou com entrevistas. Foi assim que Fama & Loucura, de Neil Strauss, editora BestSeller, caiu em minhas mãos. Eu já conhecia o trabalho do jornalista Neil (The New York Times, Rolling Stone), pois, por muito tempo, acompanhei seu excelente trabalho em jornais e revistas.

Fama & Loucura superou ainda todas as minhas expectativas. Não só porque reúne ótimas entrevistas, mas também, e principalmente, pelo modo como elas foram organizadas. Percebe-se o cuidado do autor em colocar um elo entre elas e de, assim, contar uma história única por intermédio de diversas vozes, sem soar esquizofrênico. Ele mostrou que tudo faz parte de um todo, por mais diferente (e estranhas) as pessoas possam ser, e que você pode se conectar a elas, apesar de tudo.

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[ resenha ] Carta de Amor aos Mortos, Ava Dellaira @editoraseguinte

Tudo começa com uma tarefa para a escola: escrever uma carta para alguém que já morreu. Logo o caderno de Laurel está repleto de mensagens para Kurt Cobain, Janis Joplin, Amy Winehouse, Heath Ledger, Judy Garland, Elizabeth Bishop… apesar de ela jamais entregá-las à professora. Nessas cartas, ela analisa a história de cada uma dessas personalidades e tenta desvendar os mistérios que envolvem suas mortes. Ao mesmo tempo, conta sobre sua própria vida, como as amizades no novo colégio e seu primeiro amor: um garoto misterioso chamado Sky. Mas Laurel não pode escapar de seu passado. Só quando ela escrever a verdade sobre o que se passou com ela e com a irmã é que poderá aceitar o que aconteceu e perdoar May e a si mesma. E só quando enxergar a irmã como realmente era — encantadora e incrível, mas imperfeita como qualquer um — é que poderá seguir em frente e descobrir seu próprio caminho.

Tô com um problema sério com livro juvenis que tratam de morte na família (geralmente irmão/irmã) e protagonista fica naquele lenga lenga… Sei que pode parecer insensível da minha parte, mas é que já li tantos livros do tipo (Passarinho, O Céu Está em Todo Lugar…) e todos seguem exatamente a mesma fórmula. Cansa. Não há quem aguente. Nova vida, novo colégio, novos amigos e o fantasma da morte de um membro da família assombrando todos.

O que dói mais é constatar que Carta de Amor aos Mortos, da escritora Ava Dellaria, publicado pela Seguinte, é bem escrito. Tem uma trama com conflitos interessantes e que se sustentam bem, uma narrativa ok, mas a velocidade dos fatos e os personagens me deram um pouco de sono. Senti que lia, lia, lia e não sai do lugar. O mesmo drama repetido over and over and over again.

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[ resenha ] Manhã de Núpcias, Lisa Kleypas @editoraarqueiro

Quando herdou o título de lorde Ramsay, Leo Hathaway e sua família passavam por um dos momentos mais difíceis de sua vida. Mas agora as coisas vão bem. Três de suas quatro irmãs já estão casadas, uma preocupação que Leo nunca teve consigo mesmo. Solteiro inveterado, ele tem uma certeza na vida: nunca se casará. Mas então a família recebe uma carta que pode pôr tudo isso em risco: se Leo não arrumar uma esposa e gerar um herdeiro dentro de um ano, ele perderá o título e a propriedade onde todos vivem. Solteira e sem pretendentes, a governanta Catherine Marks talvez seja a única salvação da família que a acolheu com tanto carinho. O único problema é que Leo não compartilha do mesmo afeto que suas irmãs têm pela moça. Para ele, Catherine é uma megerazinha cheia de opinião que fala demais. Apesar de irritá-lo e quase o levar à loucura, ela é a primeira – e única – mulher com quem ele considera se casar. Catherine, por sua vez, tem uma opinião igualmente negativa a respeito do patrão. Além disso, ela esconde alguns segredos do passado e um deles pode destruir a vida que tão cuidadosamente construiu para si. Agora Leo e Catherine precisam um do outro, mas para vencer as dificuldades e consertar as coisas eles terão que superar as turras e as diferenças, num romance intenso e sensual que só Lisa Kleypas poderia ter escrito.

Comecei a ler a série Os Hathaways (Arqueiro) pelo livro quatro, porque sou dessas. Acho que foi a decisão acertada e por dois motivos. Primeiro, não fiquei perdida na história. Kleypas dá informação o suficiente para saber o que aconteceu até a história chegar ao ponto do livro em questão. Segundo, não precisei esperar por tanto tempo para ver o lorde Leo e a governanta Catherine juntos (Não é spoiler! Tá na sinopse!). Na verdade, tenho dó de quem teve que esperar por isso desde o livro um da série, rs.

Gostei da narrativa de Lisa. Seu romance é despretensioso e bem “Sessão da Tarde” (não pelas cenas hot!), por ser bacaninha de se acompanhar. Senti falta, porém, de um pouco mais de equilíbrio… Achei tudo muito carrossel de emoções, sabe? Ou está tudo muito bem ou tudo muito mal. Personagens e situações vão de um extremo a outro em um estalar de dedos. O meio termo não existe.

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[ resenha ] Fortaleza Negra, Kel Costa @grupopensamento

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De uma inóspita região da antiga União Soviética, vampiros, até então considerados criaturas lendárias, surgem inesperadamente e põem fim à Guerra Fria em 1985. Usando seu poder mental extraordinário e sua força sobre-humana, os Mestres da Realeza Vampírica exigem a rendição dos líderes mundiais e se autoproclamam senhores absolutos do planeta. Anos depois, vivendo num mundo de relativa paz entre humanos e vampiros, Aleksandra Baker, uma garota de 17 anos, se ressente por não ter a mesma liberdade que os jovens do passado. Agora, além de viver sob o jugo dos vampiros, Sasha, como é chamada por todos, está apavorada com uma nova ameaça, a invasão de predadores letais: os mitológicos! Em 2013, diante dos terríveis ataques de centauros e minotauros, a família Baker não vê outra saída a não ser se mudar para a Rússia e morar entre os muros do único lugar onde é possível viver livre dos seus ataques: a impenetrável Fortaleza Negra, reduto da Realeza Vampírica. Mas a ideia de se mudar para a Fortaleza não agrada Sasha. Ela não gosta de vampiros e para o seu desespero, Helena, sua melhor amiga, vai ficar para trás, correndo perigo constante. O que a adolescente ruiva não esperava era que os Mestres da Realeza Vampírica fossem tão fascinantes. Principalmente Mestre Mikhail, que parece ter uma implicância gratuita com a garota e sempre a deixa nervosa com seu jeito arrogante e autoritário. Dividida entre viver uma vida trivial ao lado dos novos colegas de escola ou se envolver num mundo cheio de segredos, jogos de poder, sedução e protocolos da Realeza, Sasha ainda precisará encontrar uma forma de levar Helena para a Rússia e se manter a salvo dos mitológicos que rondam a Fortaleza. A única esperança são as pesquisas do seu pai, um biólogo que estuda uma forma de extinguir de vez essas criaturas. Para isso ele conta com a ajuda de Blake, um prodígio adolescente, que balançará o coração de Sasha. Mas a jovem talvez já esteja envolvida demais com a obscuridade de Mestre Mikhail…

Eu já sabia que a Kel Costa escrevia bem, pois assim que soube que ela lançaria um livro, fui atrás de uma fanfic dela e vi que talento ela tinha pra coisa. Poderia escrever um livro bem bacana. E foi ótimo confirmar que a transição dela de autora de fanfic para autora de livros deu muito certo com  Fortaleza Negra – A Chegada da Nova Era, publicado pela Jangada.

A verdade é uma só: Kel conseguiu ressuscitar meu interesse por vampiros, que estava adormecido há um tempo considerável.

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[ resenha ] Desnamorados, vários @editoraempireo

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Desnamorados (Empíreo) é um livro colaborativo que buscou olhar para o amor de uma perspectiva diferente, menos clichê e mais autêntica. Para isso, o livro juntou diversos contos, crônicas e poesias de muitos autores, ilustrados por artes de diversas pessoas. A ideia do projeto foi espaço para o maior número de histórias possível, para que todas as contradições e semelhanças do amor fossem retratadas. Todo mundo pôde mandar seu texto através do site do projeto: www.desnamorados.com. A única regra foi usar sempre os nomes dos mesmos personagens: Pilar e Acir. Os textos foram selecionados para a publicação impressa e digital. (sinopse oficial)

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[ resenha ] Passarinho, Crystal Chan @intrinseca

O avô de Joia parou de falar no dia em que matou o irmão dela. O menino se chamava John, e achava que tinha asas. Subia e saltava do alto de qualquer coisa, até ganhar do avô o apelido de Passarinho. Joia não teve a chance de conhecê-lo, pois Passarinho se jogou do penhasco bem no dia em que ela nasceu. Ainda assim, por muito tempo ela viveu à sombra de suas asas. Agora, aos doze anos, Joia mora em uma casa tomada por silêncio e segredos. Os pais culpam o avô pela tragédia do passado, atribuem a ele a má sorte da família. Joia tem certeza de que nunca será tão amada quanto o irmão, até que ela conhece um garoto misterioso no alto de uma árvore. Um garoto que também se chama John. O avô está convencido de que esse novo amigo é um duppy — um espírito maldoso —, mas Joia sabe que isso não é verdade. E talvez em John esteja a chave para quebrar a maldição que recaiu sobre sua família desde que Passarinho morreu.

Acho que fui com muita sede ao pote para ler Passarinho (Intrínseca), da escritora norte-americana Crystal Chan. Filha de um chinês com uma descendente de poloneses, a autora participa de uma campanha em prol de livros que tratem de diversidade cultural.

Nessa sua estreia literária, a premissa prometia ser tocante, então achei que ia me descabelar de chorar. Mas nem a garganta apertou. E vocês sabem que quando me emociono, choro meeeesmo, em qualquer lugar, sem vergonha de borrar a maquiagem e ficar que nem os caras do Kiss.

Mas então, o que aconteceu? Nem seu sei direito. Achei Passarinho um livro bonzinho… Mas, arrisco-me a dizer, um pouco sem sal.

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[ resenha ] O Peculiar, Stefan Bachmann @galerarecord

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Escolhido um dos melhores livros juvenis de 2012 pelo Publishers Weekly. Stefan Bachmann começou a escrever o livro em 2010, quando tinha apenas 16 anos. Após a invasão do mundo pelos seres mágicos, as fadas foram aceitas entre os mortais, mas os mestiços não têm lugar, e a discrição pode ser a diferença entre a vida e a morte. Os irmãos Barthy e Hettie vivem com medo. Tudo piora quando Peculiares são encontrados, ocos, boiando no Tâmisa. Mas eles estão seguros em Bath, não? Talvez… Se não fosse pela misteriosa dama em veludo ameixa que aparece na vizinhança. Quem é ela? E o que quer?

Foi difícil decidir abandonar a leitura de O Peculiar (Galera Record), primeiro livro de uma trilogia, do autor Stefan Bachmann. O livro foi considerado um dos melhores juvenis de 2012, é indicado pelo Tio Rick (Percy Jackson) e li várias resenhas positivas sobre ele também.

Mas a verdade é que o livro é bom. Por que então não levei a leitura até o final?

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