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[ entrevista ] “Criar é o anúncio sintomático da singularidade de um sujeito”- Adriano Messias

Adriano_MessiasQuando adolescente, Adriano Messias queria ser escritor. O sonho, porém, só se concretizou anos depois. Nesse meio tempo, muita coisa aconteceu. Na verdade, muito estudo preencheu esse espaço de tempo: graduou-se em Jornalismo e Letras, e fez mestrado em Comunicação e Sociabilidade. Atualmente, é doutorando, tendo como tese “Todos os monstros da Terra: o bestiário fantástico pós-2001″ (PUC-SP), além de, claro, ter alcançado o seu objetivo: é autor premiado de dezenas livros para crianças e jovens. Não satisfeito, seu currículo ainda inclui traduções de obras literárias e palestras sobre os temas de suas pesquisas. Acredito que, com esse histórico, já deu para perceber o amor de Adriano pela língua portuguesa e literatura.

Conheci o seu trabalho pelo livro Histórias Mal-Assombradas do Espaço Sideral, volume seis da série Contos Para Não Dormir publicada pela editora Biruta. A coleção trata do mundo fantástico permeado por monstros e assombrações, e tem como protagonista o jovem curioso e esperto André. Ele, que sempre visita os sítios dos avós em Minas Gerais, tem muitas histórias misteriosas para compartilhar com os leitores. (Leia a resenha completa do livro aqui.)

Nessa entrevista, o autor fala sobre a importância de não banalizar o ato de escrever ficção, como os monstros são incompreendidos, um modo de alcançar o jovem leitor contemporâneo e até mesmo como o processo criativo é o “(…) anúncio sintomático da singularidade de um sujeito.”

Além de talentoso e solícito, o Adriano Messias se mostrou um escritor com uma combinação rara de qualidade técnica e sensibilidade artística.

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[ entrevista e sorteio ] Teri Terry, autora da trilogia Slated @FarolLiterario

Autora da trilogia distópica Slated, no Brasil, publicada pela Farol Literário.

Qual a relação entre uma cientista, uma advogada e uma optometrista? Nenhuma? Resposta errada! A certa: Teri Terry. A inglesa, que já morou em diversos países e é autora da trilogia distópica Slated, trabalhou com isso tudo e algumas outras coisas mais antes de se dedicar integralmente à escrita.

Engana-se, porém, quem pensa que é marinheira de primeira viagem. Antes de lançar seu primeiro livro (que é o primeiro da série Slated, Reiniciados), já tinha escrito outros nove – todos recusados. Como a própria diz em seu site, aprender a encarar a rejeição é importante, mas mais ainda não desistir e persistir, pois leva-se tempo para escrever um bom livro.

Agora, já consagrada com a trilogia, ela colhe os louros de tanto esforço. A série já ganhou de diversos prêmios e foi publicada no Canadá, EUA, França, Alemanha e outros países. Aqui no Brasil, a responsável por trazê-la é a editora Farol Literário. Os livros Reiniciados e Fragmentada fizeram bonito por aqui e conquistaram diversos leitores. Já resenhei ambos (leia aqui), e entendo completamente o porquê de cair no gosto do público. Teri conseguiu unir de modo inteligente e jovial, ação, romance, thriller em uma só história.

Nesse entrevista, ela fala um pouco sobre como é o seu processo criativo e o que espera sobre o desfecho da série. No final da entrevista, uma surpresa: a editora, gentilmente, cedeu para sorteio o primeiro livro da série. Participem!

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[ especial ] Sessão Reservada @CdLPotterish com Marcelo Amaral – faça a sua pergunta!

E na segunda edição da Sessão Reservada, o escritor de literatura infanto-juvenil Marcelo Amaral bate um papo descontraído com o Clube do Livro – Potterish sobre livros e literatura.

Marcelo Amaral é autor de “Palladinum – Pesadelo Perpétuo” e, seu mais recente trabalho, “A máquina anti-bullying” que é o primeiro número de seu novo projeto intitulado “Coleção Turma da Página Pirata”.

O mundo das crianças, nos livros de Marcelo Amaral, pode estar presente o fantástico, mas a realidade também está presente em sua obra através das lições aprendidas pelos personagens (e leitores).

Curioso para saber como ele cria os personagens e cenários? Então, puxe sua cadeira, pegue um café e pense em uma pergunta bem legal para o Marcelo! Quem participar enviando perguntas também estará concorrendo ao sorteio de uma caneca e um livro autografado!

Faça a sua pergunta, clique aqui! 

Já pode conferir o vídeo pronto! Veja se não foi o/a sortudo/a que ganhou o livro! :)

Capa CdL - Sessão Reservada Parceiro 2 MP

[ entrevista + resenha + sorteio ] Graeme Simsion, autor de O Projeto Rosie (Record)

Graeme Simsion: de consultor em Ti a escritor bem sucedido.
Graeme Simsion: de consultor em Ti a escritor bem sucedido.

Já pensou se você pudesse encarar a busca pelo seu parceiro(a) ideal como se fosse um projeto científico? É, com questionário e tudo. Seria bacana, né? Pouparia um bom tempo. Não precisaria esperar meses para saber que a pessoal pela qual estava interessada não tem o hábito de abaixar a tampa do vaso ou de espremer o tubo da pasta de dente no meio, por exemplo.

Para o geneticista Don Tillman, protagonista do livro O Projeto Rosie (Record), essa era a grande solução para o fim dos seus dias de solidão. Por meio do projeto Esposa Perfeita tinha certeza  de que acharia uma mulher adequada. O problema todo é quando ele esbarra em Rosie, uma jovem que vai testar toda a sua vida cheia de regras e horários… Será que amor é tão certinho assim?

Para um romance de estreia, o australiano Graeme Simsion fez bonito. O livro recebeu diversas críticas positivas e foi elogiado por gente de peso como Marian Keyes (Melancia) e Matthew Quick (O Lado Bom da Vida).

Em entrevista ao Murmúrios Pessoais, ele contou que a vontade de ser escritor sempre o acompanhou. Mesmo com alguns desvios do caminho literário, quando teve seu próprio negócio e era consultor na área de tecnologia da informação (TI), não teve jeito: de alguma forma se arriscou no meio, escrevendo dois livros sobre data modeling. Ok, não eram romances, mas mostravam que o desejo ainda estava lá.

Capa nacional do livro, lançado pela Record.
Capa nacional do livro, lançado pela Record.

Tudo mudou quando se deparou com um livro de Joe Queenan (The Unkindest Cut), que falava sobre os bastidores de um filme de baixo orçamento. Resultado? Ficou tão fascinado pelo livro que decidiu fazer um filme por conta própria, utilizando um manuscrito não publicado na esposa. Ao todo, foram dez meses de trabalho, entre roteiro e filmagens, e, segundo o próprio, o projeto não foi lá essas coisas, mas serviu para chamar a atenção de alguns produtores conceituados e, o melhor, elevar a sua autoestima. O desejo de ser escritor voltou com força total. Graeme conta o restante da história: “Me senti encorajado e um ano depois, vendi o meu negócio (mas continuei como freelancer) e me matriculei em um curso de roteiro. Parecia mais fácil do que escrever um romance (e era, ao menos para mim!). Tive uma ideia para uma história sobre um homem sem nenhuma habilidade social que procurava por uma parceira. Trabalhei nisso por cinco anos enquanto eu aprendia sobre a arte do roteiro, fazendo vários curta metragens. O roteiro ganhou um prêmio, e alguns produtores se interessaram. Fiquei pensando se a história poderia ser contada como um romance. Ainda me sentia intimidado pela ideia de escrever um, mas agora eu tinha uma história, enredo, personagens, e até diálogos. Muito do trabalho pesado já estava feito. A única coisa que faltava eram os pensamentos do Don. Eles não estavam apenas em uma página de roteiro, mas, após cinco anos eles, eram muito claros na minha mente. Então, comecei a escrever um romance… Quando vi que deu certo, abandonei meu emprego regular.”

E assim nascia O Projeto Rosie, com um dos personagens mais carismáticos da literatura: o socialmente-inapto, nerd, Don Tillman. Aliás, quer saber se você é compatível com ele? Pode fazer esse teste aqui e tirar a sua dúvida!

Nesse bate papo, conversamos sobre processo criativo, a exigência da sociedade moderna e, claro, Don. Confira!

Entrevista

MP: Como é o seu processo criativo? Você é do tipo disciplinado, que analisa, faz a estrutura da história e depois escreve; ou você apenas senta, olha para o laptop e começa a escrever?

GS: Sou um planejador. É algo que trouxe da minha carreira com TI! Escrever roteiros também foca na estrutura, então aprendi a planejar meus roteiros com muito cuidado, fechando a descrição de cena por cena antes de começar propriamente a escrever. Quando comecei o romance O Projeto Rosie, eu tinha um detalhado esquema. Eu mantive essa praticidade. Isso me dá dois níveis de criatividade – uma no estágio de planejamento e outra quando estou escrevendo. Mas não sou tão disciplinado assim. Às vezes trabalho feito louco por horas – às vezes não toco em nada!

MP: O que te inspirou a escrever O Projeto Rosie e qual foi a parte mais difícil de escrevê-lo?

GS: Fui inspirado pela história de um amigo, expert em TI, que estava com dificuldades de achar uma parceira. A história, originalmente, era um drama, chamado O Projeto Klara: Klara era uma física nerd. Don e Klara se conheceram em um jogo de xadrez, e era óbvio que eles eram o par perfeito. Depois de dois anos trabalhando nessa história, percebi que ela estava muito “fácil” – Don precisava ser mais desafiado. Eu já tinha mudado do drama para a comédia. Mas joguei tudo fora, exceto Don e seu amigo Gene e uma pequena parte da narrativa; então,  comecei de novo. A parte mais difícil foi criar Rosie. Acho que os personagens masculinos são mais fáceis de se criar do que os femininos, e eu precisava de alguém que fosse tudo o que Don não queria, mas, na verdade, precisava. Ela também devia precisar de Don – e estar atraída por ele. Foi um trabalho difícil, e tive algumas conversas com minha esposa, que é psiquiatra e escritora.

MP: Don é um personagem carismático e envolvente, do tipo que fica na mente do leitor por um bom tempo. É impossível não se apaixonar por ele. Como foi o processo de criá-lo?

GS: Eu me inspirei muito em pessoas que conheci na faculdade (onde estudei física), no ambiente de tecnologia da informação e dando aulas. Não li nada sobre a síndrome Asperger, então Don foi criado mais da realidade do que a partir de um texto. Inseri um pouco de mim (Don é um ótimo veículo para uma comédia) e também utilizei um truque comum para quem escreve roteiros: eu o fiz muito focado e motivado. Ele nunca desiste.

Algumas capas do livro ao redor do mundo.
Algumas capas que o livro recebeu ao redor do mundo.

MP: No livro há cenas muito engraçadas, e elas coexistem com outras muito sensíveis sobre a natureza humana. Como foi possível manter esse equilíbrio na história sem que ela soasse forçada?

GS: Acho que comédia geralmente precisa de um suporte dramático se você quer que ela chame a nossa atenção, e o drama precisa de um pouco de alívio. Então, é um equilíbrio natural. Meu professor de comédia, Tim Fergusson, que é muito conhecido na Austrália, diz “Faça-os rir, faça-os chorar, faça-os pensar.” Tim tem esclerose múltipla, e em suas apresentações de comédia stand-up fala muito sobre a sua doença – ele faz piadas, mas há muito no que pensar – e chorar também.

MP: Nas entrelinhas, notamos um tópico importante abordado de forma sutil, mas muito relevante. A procura de Don pela parceira perfeita, assim como seu dia cheio de regras e cronometrado baseado apenas na razão fazem nascer perguntas como “O que significa ser humano?”, “Como se encaixar na sociedade?”. Você acha que a sociedade moderna exige mais das pessoas? A questão do “ser perfeito” é mais nítida atualmente?

GS: Sim, acredito que seja verdade. Nós nos comparamos a um padrão global. Não é o suficiente ser o melhor pianista em uma cidade mais – porque todos nós podemos baixar performances dos melhores do mundo. Os encontros na Internet nos obrigaram a especificar com bastante precisão a pessoa que estamos procurando, fazendo com que corramos o risco de afastar alguém que pode ser a nossa alma gêmea. Minha esposa prometeu a si mesma que nunca iria se casar com um homem mais baixo do que 1,80m. Eu meço 1,70m e estamos casados há ​​24 anos.

Nós nos comparamos a um padrão global. Não é o suficiente ser o melhor pianista em uma cidade mais – porque todos nós podemos baixar performances dos melhores do mundo. Os encontros na Internet nos obrigaram a especificar com bastante precisão a pessoa que estamos procurando, fazendo com que corramos o risco de afastar alguém que pode ser a nossa alma gêmea.

MP: Quais são as suas expectativas para o próximo livro? Receber elogios de Marian Keyes e Matthew Quick é algo grande. A pressão externa ajuda ou atrapalha? Ou você não sente essa pressão?

GS: Enquanto eu estiver satisfeito com o feedback de pessoas que eu admiro, não há pressão. Pelo contrário, dá-me confiança. Quando fechava um negócio, existia a pressão financeira, pressão para cumprir prazos com muitos fatores que eu não podia controlar, pessoas difíceis, política, concorrência. Comparado com isso, escrever um livro é fácil. Sério.

MP: Qual mensagem gostaria de deixar para os leitores brasileiros? (Esperamos vê-lo em breve!)

GS: Nunca visitei o Brasil. Minha esposa e eu queremos dar um pulo aí, e eu quero muito fazer uma tarde de autógrafos e conversar um pouco com os leitores, no futuro. Minha esposa e eu atualmente trabalhamos em um livro com base em nossas experiências viajando pela França e Espanha, e nele há cinco personagens brasileiros, inspirados em mulheres que encontramos na caminhada. Nesse meio tempo, espero que O Projeto Rosie faça com que todos riam, chorem e pensem.

Para saber mais sobre o autor, visite o seu site e siga-o no twitter!

***

RESENHA

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Perto de completar 40 anos, o peculiar professor de genética Don Tillman havia desistido do amor. Para acompanhar sua rotina severamente cronometrada, com esquema de refeições padronizadas, um cronograma para a execução de cada compromisso (inclusive para a prática de exercícios físicos antes de dormir) e lidar com sua falta de habilidade social, só mesmo a mulher perfeita. E ele já sabe como encontrá-la. Ou pelo menos acha que sabe. Ele desenvolve o projeto Esposa Perfeita, um questionário meticuloso que irá ajudá-lo a selecionar candidatas adequadas a seu estilo de vida. Mas quando Don conhece a jovem Rosie ele descobre que nem tudo na vida pode ser programado… e que o amor pode, de repente, vir a seu encontro.

O Projeto Rosie (Record) é o primeiro romance do australiano Graeme Simsion. Ele, que agora se dedica em tempo integral à escrita, já foi professor e consultor de tecnologia da informação.

E aí, gente? Quem tá preparado para uma resenha cheia de suspiros?  :D

Culpa do Don, gente. Quem manda ser um ótimo personagem? Carismático, inteligente, sem noção nenhuma das convenções sociais? Só podia dar nisso: amor. Impossível não se apaixonar pelo maior deslocado ever.  Até errando, o cara acerta. Ele é envolvente e charmoso, mas de um jeito único que é tão natural, tão dele, que a estranheza acaba virando uma qualidade. Os personagens secundários são ótimos também. Destaque para o seu melhor amigo, Gene, e claro, Rosie – que traz um pouco de caos para a vida mais que regrada de Don.

A história bolada por Graeme é original e inusitada. As situações que ele cria e faz Don e Rosie passar são as mais hilárias possíveis. É uma coisa mais doida que a outra. Junto a isso, some os papos deles, que tcharam!: a loucura impera do início ao fim. Garantia de boas risadas.

Mas lá no fundo, nas entrelinhas, conseguimos identificar bem sutilmente o quanto o livro traz uma sensibilidade bonita. Na verdade, é a história de um cara diferente, marginalizado na sociedade, que tenta se encaixar. Mas não por vergonha de ser quem ele é, e sim porque não vê motivos para mudar. Ele é assim e pronto. Sabe de suas limitações, e até tenta mudá-las, mas sem se deixar abater por um sentimento de embaraço. Ele nunca desiste.

A narrativa de Graeme é muito bem dosada. Mesmo nas cenas divertidas, encontramos uma visão ímpar sobre a natureza humana. Ele faz o “rir de si mesmo” ser fácil. Ele eleva da máxima “aceitar como sou” a um outro nível. Ele mostra que nossos defeitos podem (e devem) ser bem-vindos [Na verdade, o que é "defeito"? Qual o parâmetro para determinar isso?] . Temos que mudar e tentar melhorar? Sempre. Mas com a consciência de sabermos que temos nossas limitações, que somos seres humanos e que a dualidade razão x emoção faz parte de nós.

O livro também é impecável em sua estrutura. É nítido o cuidado do autor com o decorrer da história e sua evolução. Ele trabalhou muito bem os plots e soube fazer com que tivessem uma conexão. Não ficou algo do tipo: “Ok, já resolvi isso, agora vou resolver aquilo”. Nada disso. A trama flui bem não deixa furos.

Com uma pegada engraçada, mas também emocionante, O Projeto Rosie desponta como um dos melhores lançamentos do ano. Lido, relido, favoritado.

Título: O Projeto Rosie
Autor: Graeme Simsion
Páginas: 320
Editora: Record
Ano: 2013
Avaliação: 5.0

Sorteio

E aí? Quem aí quer ganhar um exemplar do livro? A Record liberou o SORTEIO DE DOIS EXEMPLARES DO LIVRO! #todosvibram Basta preencher o formulário abaixo! O sorteio é válido entre 20/7 a 10/8! Não se esqueça de ler o Terms & Conditions e boa sorte! :)

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[ entrevista + resenha ] Sarah Prineas, autora de O Ladrão Mágico

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A autora se confessa fã de dragões!

Sarah Prineas é uma escritora norte-americana, PhD em Literatura Inglesa, cujo primeiro livro logo de cara foi traduzido para dezenas de línguas. Estou falando de O Ladrão Mágico, que dá nome à série que ainda conta com mais dois livros: Perdido e Encontrado, e logo ganhará um quarto. Ela também é autora da série Winterling, que já tem dois livros lançados lá fora, mas ainda sem previsão de sair por aqui.

Casada com um cientista e mãe de dois filhos (e também dois lindos gatos), Prineas é fã de dragões e se meteu na literatura para se sentir menos só. A autora conversou comigo sobre isso e muitas outras coisas mais! Confira!

ENTREVISTA

MURMÚRIOS PESSOAIS – Quando e por que começou a escrever?

SARAH PRINEAS – Em 2000, eu e minha família moramos na Alemanha apenas por um ano, e eu me sentia muito sozinha e entediada. Então, comecei a escrever para ter algo para fazer. Por isso, comecei a escrever um pouco tarde, estava na casa dos trinta, e isso foi uma revelação. Eu fiquei “Uau! Amo isso! Consigo escrever!” e continuei desde então.

MP – Até agora, você lançou cinco livros. Há algum entre ele que você prefere?

SP – Meu primeiro livro, O Ladrão Mágico, às vezes é o meu favorito, mas o livro que eu sempre gosto mais é aquele no qual estou trabalhando. Quase nunca releio meus livros depois que são publicados; parto logo para o seguinte.

MP – Você notou uma evolução na sua escrita ao longo do tempo? Aliás, como é o seu processo de escrita?

SP – Alguns autores são disciplinados e organizados, mas sou muito intuitiva. Começo um livro com um personagem e então tenho que escrever para descobrir o que acontece com ele ou com ela. Meu processo tem sido assim desde o início.

MP – O que você sentiu quando uma editora aceitou publicar o seu primeiro livro?

SP – Fiquei atônita! Isso também aconteceu muito rápido, não estava esperando, fui pega de surpresa.

MP – Vamos falar sobre a série O Ladrão Mágico. O que te inspirou a escrever isso e qual foi a parte mais difícil?

SP – Quando comecei a escrever O Ladrão Mágico, queria um livro com todos os itens que mais amo em fantasia: magia, aventura, bruxos, dragões, lutas de espadas, biscoitos e bacon… Não tinha a intenção de escrever um livro para jovens, apenas queria que fosse divertido, mas também que muito leitores amassem Conn (fico feliz em saber que você amou!). A parte mais difícil… Não consigo pensar em nada que tenha sido realmente difícil. Foi imensamente divertido escrevê-lo.

A série O Ladrão Mágico, que, em breve, se tornará uma quadrilogia!
A série O Ladrão Mágico, que, em breve, se tornará uma quadrilogia!

MP – Me apaixonei pelos seus personagens, especialmente Conn e Nevery. A amizade deles é especial: ambos são inteligentes, mas de um jeito diferente (enquanto Nevery tem uma inteligência que vem dos livros, a do Conn vem das ruas). Como foi o processo de criação desses personagens?

SP – Alguns autores são organizados, como disse antes, e eles planejam seus personagens com todo o cuidado, escrevem páginas de desenvolvimento dos personagens, informando cor favorita, comida predileta e tudo isso. Para mim, os personagens são orgânicos, como se crescessem enquanto eu escrevo sobre eles. Conn foi fácil. Uma vez que ouvi sua voz na minha cabeça, sabia exatamente como ele era e o que queria; sabia até como ele seria fisicamente. A amizade entre Conn e Nevery foi muito divertida de se escrever. Eles não concordam em nada, mas acho que são similares em alguns aspectos – ambos ficaram sozinhos por um longo tempo; são muito independentes; são pessoas difíceis de se conviver. E ambos precisam de uma família.

MP – Apesar do livro ser para os jovens, há assuntos sérios nele como amizade, lealdade e coragem. Qual é o modo mais apropriado para se falar sobre esses assuntos com esse público?

SP – Acho que os leitores jovens lidam com assuntos complicados em suas vidas e são perfeitamente capazes – mesmo novos – de ler sobre essas coisas. Da mesma forma que queria escrever um livro divertido, queria incluir esses assuntos sérios também.

Os dois primeiros livros da série Winterling, ainda não lançada no Brasil.
Os dois primeiros livros da série Winterling, ainda não lançada no Brasil.

MP – Conte-nos sobre a sua última série, Winterling, infelizmente ainda não lançado no Brasil.

SP – Winterling é uma aventura de fantasia sobre uma garota (Fer), que deixa o nosso mundo e vai para uma terra mágica para combater um terrível mal. Ela é ajudada por um problemático puck – um garoto que pode se transformar em um cavalo ou um cachorro. Espero que seja lançado no Brasil em breve!

MP – Que lições você quer que seus leitores tirem de seus livros?

SP – Meus livros são de fantasia, e uma das coisas que a fantasia oferece é fuga. Espero que meus leitores possam se refugiar em meus mundos mágicos, mas depois voltar para seus mundos reais com um renovado senso de questionamento e crença nas possibilidades de que uma pessoa – mesmo uma criança! – pode fazer o bem no mundo.

MP – O que vem em seguida? Já começou a escrever um novo livro?

SP – Sempre estou trabalhando em um livro novo! Agora mesmo estou revisando o quarto livro da série O Ladrão Mágico, que tenho que entregar para meu editor em três semanas. Também acabei de começar a escrever um livro novo sobre um garoto que também é um dragão. Para maiores informações, podem visitar o meu site: www.sarah-prineas.com.

Resenha

ENCONTRADO_1329926332PEscapar da prisão não é fácil, a menos que você seja um ladrão com poderes mágicos. Felizmente, Conn é as duas coisas! O problema é que, uma vez nas ruas, para onde ele vai? Ele está condenado ao exílio, e retornar à cidade de Wellmet pode significar sua morte. Entretanto, a cidade corre perigo, ameaçada por um predador que está a caminho para destruí-la. Conn não tem escolha a não ser partir para encontrar algo que possa ajudá-lo a defender Wellmet. Cara a cara com um poder diferente de todos os que já tinha visto, Conn descobre o que significa ser um bruxo.
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Sarah conseguiu manter o ritmo da aventura de Conn e seus amigos. O garoto cada vez mais é posto à prova e se saiu muito bem, pois percebemos uma evolução bem gradual, ao longo dos livros. Nada foi da noite pro dia e aqui temos um Conn mais determinado que nunca. Nevery também está ótimo, como um bruxo sábio e rabugento; mas amigo fiel de Conn que conseguiu quebrar a carapaça dura do bruxo. Senti um pouco falta da Rowan. Ela até aparece, mas está tão apagadinha… Sobre a trama em si, aqui está mais elaborada e também percebemos uma evolução da autora, que conseguiu não deixar pontas soltas e escreveu uma fantasia de tirar o fôlego. A parte gráfica é lindíssima, mais uma vez. Recheada com belas ilustrações, mapas, receitas, mensagens e mini bio dos personagens. Pensei que a série acabaria nesse livro, mas como ela falou na entrevista, está trabalhando no quarto. Que ótimo! Certeza que será ainda melhor que esse. Mal posso esperar para tê-lo em mãos.
Avaliação: 4.0

Sorteio

A editora Prumo, gentilmente, cedeu um exemplar do livro Encontrado para sorteio! ‘Bora participar? Basta preencher o formulário abaixo. Não se esqueça de ler o Terms & Conditions! Boa sorte! :)

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[ entrevista ] Matthew Dicks: “Crianças gostam de honestidade e podem lidar com mais coisas do que podemos imaginar.”

Escritor, professor, empresário e pai. Ufa! Essas são algumas ocupações de Matthew Dicks, autor de Memórias de um Amigo Imaginário, lançado pela editora iD. O livro, terceiro de Matthew, conta a história de Budo, amigo imaginário de Max, um menino de oito anos. Budo já existe faz cinco anos e tem uma aparência quase normal, pois Max o imaginou daquela forma. Isso não limita Budo, que tem seus próprios pensamentos e vontades e até mesmo outros colegas também imaginários. Sua vida está bem tranquila com Max, eles se dão bem. Budo, porém, descobre algumas coisas. Max corre perigo e ninguém mais sabe disso. Como Budo poderá ajudá-lo? Nenhum humano o enxerga, nem consegue interagir com ele! E agora? (Resenha completa aqui.)

Nessa entrevista, o autor demonstrou a mesma sensibilidade que tem para escrever seus livros. Conversamos sobre amigos imaginários, processo de criação e muito mais. Confira! :)

Para saber mais sobre o autor, visite seu site, siga no Twitter e curta sua página no Facebook.

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[ entrevista + promo ] Lu Piras e Felipe Colbert, autores de A Última Nota (Novo Século)

Quem disse que escrever tem que ser um trabalho solitário? Nem sempre. Felipe Colbert (Ponto Cego, Novo Século) e Lu Piras (Equinócio, Dracaena) provaram isso ao se unirem para escrever A Última Nota, romance lançado em dezembro último pela editora Novo Século.

A Última NotaEm A Última Nota conhecemos Alicia Mastropoulos, uma carioca que faz parte de uma família muito apegada às suas raízes gregas. Estudante de música da UFRJ, ela toca violino e está prestes a fazer a sua primeira apresentação como principal violinista na Orquestra da Universidade. Para fazer com que o momento seja ainda mais especial, decide, de uma última hora, não tocar a peça combinada, mas sim uma do avô que ela achou por acaso na casa da avó. A emoção é tanta que ela erra a última nota da composição. Sem mais nem menos, no dia seguinte, é avisada de que um desconhecido é encontrado perto do local onde foi a sua apresentação. E o mais estranho: sua avó o acolhe em casa. A partir de então, vai ser difícil para Alicia evitar o jovem misterioso Sebastian…
(Resenha completa aqui.)

Nessa entrevista, os autores conversam como se deu a formação da dupla e como foi o processo de escrita do livro. Além de expor sobre o cenário nacional editorial e suas preferências pessoais na literatura.

Mas antes, já aviso que, ao final da entrevista, há uma promoção com sorteio de um exemplar de A Última Nota. ;)

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[ entrevista ] Roberta Spindler: entre o conto e o romance fantástico

Contos de Meigan (Dracaena), das autores Roberta Spindler e Oriana Comesanha foi o livro que me conquistou em 2012 (resenha aqui); sendo escolhido como o melhor livro nacional que li ano passado. Nada mais justo então, do que começar com uma entrevista com uma das autoras.

Roberta Spindler nasceu em Belém do Pará, em 1985. Graduada em publicidade, atualmente trabalha como editora de vídeos. Nerd confessa, adora quadrinhos, games e RPG. Escreve desde a adolescência e é apaixonada por literatura fantástica. Tem contos publicados em diversas antologias. Quer entrar em contato com ela? Siga sua conta do Twitter e conheça seu Tumblr!

Nessa entrevista, a autora fala sobre como foi escrever o livro, o cenário editorial nacional e seus projetos futuros.

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[ notícias + entrevista + promo ] Lançamento de “Favela Paris” (APED) no Rio de Janeiro

No último dia 24 de Novembro aconteceu no C4 – Boblioteca Parque Rocinha, o lançamento do livro de Sidney Amaral (Editora APED), Favela Paris (livro que ADOREI, podem ler a resenha aqui). O evento, que foi intermediado pelo também escritor Joilson Oliveira, teve a participação de amigos, familiares e moradores da comunidade. O papo foi bastante informal e descontraído, apesar do temas sérios que foram abordados, como preconceito social, a questão do tráfico, ações públicas de melhora da favela, UPPs, dentre outros.

Gentilmente, o autor cedeu uma entrevista ao blog, segue abaixo:

“Favela Paris” (APED) nos apresenta um solução criativa para o controle do tráfico de drogas.

Murmúrios Pessoais: Favela Paris é seu primeiro livro publicado, mas também foi o primeiro escrito? Qual foi a sensação de ter o trabalho em mãos?

Sidney Amaral: Isso mesmo. É a estréia, na verdadeira acepção da palavra.  Escrevi muito durante minha adolescência, poesia, letra e música, principalmente. Um ou outro conto. Mas aí, em algum momento, mergulhei na minha profissão. O reencontro com os dois, a literatura e a música, meio que aconteceram naquele clima, que todo mundo fica às vezes, de que o tempo está passando e é preciso disciplina para que a vida seja um pouco mais, no meu caso, que clientes, petições e tribunais. Foi assim que voltei a tocar o meu instrumento (contrabaixo) e escrevi um livro. Como Favela Paris foi feito sem pretensão ou rotina, num grande intervalo de tempo (pouco mais de três anos), quando ele ficou pronto, a sensação foi algo como: “é, parece que escrevi um livro”. Só tive a dimensão de que havia feito algo bacana depois que as páginas impressas em preto e branco deram lugar àquele objeto danado de bonito, cheiroso, com capa colorida e tudo o mais. Depois vieram os comentários dos leitores, algumas resenhas. É uma percepção gradativa.

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