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[ já li ] Leituras de Janeiro e Fevereiro

Pois é, gente. O primeiro bimestre de 2012 está chegando ao seu fim e já considero interessante fazer um balanço do que li até aqui. No total, foram 12 livros lidos ao longo de 4.302 páginas. Livros que me fizeram rir, chorar, me emocionar, refletir e até mesmo sentir raiva. Apesar disso, entretanto, a média de qualidade foi acima das minhas expectativas. Gostei da maior parte do que li.

O destaque fica para os livros A Casa do Sono, de Jonathan Coe (Editora Record); A Visita Cruel do Tempo, de Jennifer Egan (Intrínseca) e Pequena Abelha, de Chris Cleave (Intrínseca). São livros fantásticos, que me tocaram de uma forma estarrecedora. Fizeram diferença na minha vida e esse é o grande barato de ler: aprender e ser modificada por palavras que alguém escrever há quilômetros de distância. Obras como essas que me fazem querer sempre manter o blog e espalhar a notícia sobre o mundo literário.

Os três melhores livros que li em Janeiro e Fevereiro deste ano.

Há outros livros que merecem menção honrosa, praticamente. Um deles é responsável por mostrar uma beleza monocromática e poética. Falo de A Garota dos Pés de Vidro, de Ali Shaw (LeYa). Apesar de ler algumas críticas não favoráveis ao livro, simplesmente adorei o modo como o autor tratou de assuntos sérios e reais misturado com um toque de fábula. Já a descrição minuciosa de G P Taylor, no primeiro volume da série Mariah Mundi, A Caixa de Midas (Planeta Jovem), também me encantou (em breve, entrevista com o autor no blog!). O mundo criado pelo autor em meio a várias referências a seres fantásticos, lendas e engenhocas a vapor é instigante – fico feliz que o filme já está em fase de pré-produção. A Menina Que Não Sabia Ler (LeYa), de John Harding, se mostrou interessante, apesar de que saquei o final da trama no meio do livro. O autor deu pistas demais. Mesmo assim é um livro que pode surpreender.

Livros muito bons... Cada um de um jeito especial.

Por falar em surpresas… Não esperava que fosse gostar de Sereia, de Tricia Rayburn (Verus), mas é bonitinho. Nada que tenha mudado a minha vida (também nem é o que espero de um livro YA), porém a autora conseguiu construir personagens interessantes em volta desse mito pouco explorado na literatura. Outra supresa foi Sushi, de Marian Keys (Bertrand). As pessoas mais próximas sabem o quanto não gosto do livro Melancia e o quanto amo Férias – ambos da autora. Então, precisava tirar a prova de três. Por isso, resolvi ler esse. E gostei. Por detrás da frivolidade do chick-lit temos uma obra que trata de um assunto sério como depressão e aparência exterior em detrimento do conteúdo.

As duas surpresas do bimestre: o chick-lit de Keys e a lenda da sereia contada por Tricia.

Finalmente li Silêncio, terceiro volume da série Hush Hush, de Becca Fitzpatrick (Intrínseca). Meus sentimentos em relação ao livro ainda são confusos, então vou deixar a poeira baixar para escrever a resenha. Não é o melhor livro da série, mas nem está perdido como um todo – algumas coisas se salvam.

Na literatura nacional somente (shame on me) li Maria, da querida Eliana Portella (Giz Editorial); uma história de amor regada com acontecimentos dramáticos e reviravoltas. Esse livro me fez perceber o quanto não sou romântica, rs.

"Silêncio" e "Maria" me deixaram em dúvida sobre meu gosto literário. Será que mudei tanto?

Por fim, os dois últimos livros a mencionar foram os que menos me chamaram atenção. Pena que um deles seja o volume três da série O Mochileiro das Galáxias; A Vida, o Universo e Tudo Mais, de Douglas Adams (Sextante). Sinto que o autor se perdeu um pouco nesse livro e não sabia muito bem para onde ia. As piadas ficaram com gosto de mais do mesmo. Já O Monge Inglês, de Valeria Montaldi (Record), ocupa o posto de grande decepção. Fui com tanta sede ao pote ler esse livro… As críticas eram tão boas, e a obra ganhou alguns prêmios da literatura italiana importantes. A bem da verdade, o monge me deu sono e o suspense que a autora fazia questão de não se prolongar, me incomodou.

Douglas Adams e Valeria Montaldi me deixaram com uma pontada de decepção.

E vocês? Como foram sua leitura nesses primeiros meses de 2012? :)

capa_caixademidas

[ resenha ] Um belo mundo mágico permeado pela criatividade

capa_caixademidasNas 20 primeiras páginas de A Caixa de Midas, fiquei pé da vida. Eu não acreditava que eu – logo eu – tinha caído na armadilha da “Capa Bonita”. Você sabe do que estou falando: daquele ato sem nexo algum que fazemos quando compramos um livro pela capa interessante, bem acabada etc etc. Mas confesso que não foi só culpa do responsável pela arte gráfica. Minha revolta se virou também para a BBC News, que, na contracapa, afirmava que os órfãos de Harry Potter encontrariam consolo nessa série.

Enfim.

O fato é que a partir da 21ª página, fiquei mais calma. O livro não se resumia a uma ilustração bem feita. O livro é muito mais que isso.

A Caixa de Midas é o primeiro livro de uma trilogia chamada Mariah Mundi, do autor inglês G. P. Taylor, – lançado aqui pela Editora Planeta Jovem – e conta a história de Mariah Mundi, um jovem órfão recém saído de um colégio, que é indicado para trabalhar no famoso (e esquisito) hotel, Prince Regent. Já na ida para o hotel, Mundi passa por situações no mínimo estranhas e encontra pessoas que serão decisivas na sua aventura que estava prestes a começar.

Ao chegar ao hotel, Mariah descobre que outros garotos do colégio, que já foram trabalhar no Prince Regente como auxiliar do mágico Bizmillah, haviam sumido misteriosamente. Acompanhado então de sua nova amiga, Sacha, o garoto desvenda passagens secretas no subsolo do hotel, um sarcófago egípcio, um barulho mágico que mostra o futuro e várias outras coisas que só fazem aumentar o enigma a ser revelado.

A sinopse é bacana, né? É porque a ideia é realmente legal. O problema ficou nas 20 ou 30 primeiras páginas. A narrativa de G. P. Taylor é muito, mas muito detalhada. Chega ao ápice de descrever que a cabeça do prego que tinha na porta era quadrada e preta.

Mas depois desse início, o livro engrena de tal forma, que você não consegue largá-lo. As cenas de ação são muito bem escritas, você se sente ao lado da Mundi, ansioso junto com ele. A aventura faz a obra ganhar um ritmo que você não pode piscar, se não perde um detalhe e lá na frente, vai ficar boiando.

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